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Review – The Empty Desk

Jogos independentes de terror em primeira pessoa já viraram quase uma “linha de produção” dentro da indústria. Entre propostas repetidas e mecânicas recicladas, só alguns poucos conseguem se destacar com ideias realmente interessantes. The Empty Desk, desenvolvido pela CheesecakeGames, até tenta entrar nesse grupo ao apostar em um thriller psicológico com temática investigativa — mas a execução está longe de acompanhar a ambição.

Uma premissa promissora… no papel

Aqui assumimos o papel do detetive Bennett, chamado para investigar o desaparecimento de Emily Blackthorn, filha de um influente empresário que também morreu em circunstâncias misteriosas. Toda a narrativa se passa dentro do prédio da Blackthorn & Co, um ambiente que deveria ser carregado de tensão, segredos e descobertas.

A base da história tem potencial. Um caso envolvendo uma família poderosa, um protagonista em seu “último trabalho” e um cenário fechado são elementos clássicos que poderiam render uma experiência envolvente. O problema é que o jogo raramente transforma essa ideia em algo realmente interessante.

Investigação sem investigação

O maior tropeço de The Empty Desk está justamente no seu elemento central: a investigação. Apesar de colocar o jogador na pele de um detetive, o game praticamente elimina qualquer sensação de raciocínio ou dedução.

A estrutura se resume a explorar os ambientes e fotografar objetos específicos marcados como pistas. Não há análise, cruzamento de informações ou interpretação dos acontecimentos. Você não monta teorias, não conecta eventos — apenas segue um checklist invisível.

Isso cria um loop repetitivo: entrar em uma área, encontrar todos os itens obrigatórios, avançar. Caso algo seja perdido, o jogo força o retorno ao início da seção. Ainda que exista um sistema que registra os itens já encontrados, a experiência continua mecânica e pouco envolvente.

Para um jogo que se vende como uma aventura investigativa, a ausência de desafios intelectuais pesa bastante. Não existem puzzles de verdade — no máximo, situações extremamente simples, como encontrar um número anotado ou associar nomes a rostos de forma óbvia.

Narrativa rasa e pouco impactante

Outro ponto que decepciona é a narrativa. Apesar de abordar temas como saúde mental, desgaste emocional e alienação no trabalho, tudo isso aparece de forma superficial. São ideias interessantes que nunca são aprofundadas.

A história segue de maneira previsível, sem grandes reviravoltas ou momentos memoráveis. Falta impacto emocional, falta construção de tensão — e, principalmente, falta desenvolvimento dos personagens.

O próprio Bennett acaba sendo um protagonista pouco marcante, e sua jornada não carrega o peso que deveria para um “último caso”.

Atmosfera inconsistente

O jogo tenta criar um clima psicológico, com pequenas distorções da realidade e mudanças no ambiente. No entanto, essas ideias são pouco exploradas. Existem momentos isolados que tentam surpreender, mas nada que realmente construa uma atmosfera constante de medo ou desconforto.

Pior ainda: algumas decisões acabam gerando frustração em vez de tensão, como trechos finais que exigem encontrar objetos minúsculos escondidos — mais irritantes do que desafiadores.

Uso de IA prejudica a imersão

Um dos aspectos mais controversos de The Empty Desk é o uso de inteligência artificial em partes da produção, incluindo dublagem, elementos visuais em 2D e localização.

O resultado é bastante inconsistente. As vozes soam artificiais e pouco naturais, enquanto as imagens em 2D destoam claramente do restante do jogo. Em certos momentos, esses elementos quebram completamente a imersão, criando cenas que parecem deslocadas ou até involuntariamente cômicas.

A ambientação também sofre: apesar de o jogo se passar em Londres, diversos detalhes visuais e de linguagem não condizem com o local, dando a sensação de um cenário genérico que não convence.

Estrutura curta, mas pouco satisfatória

Com duração entre 2 e 3 horas, The Empty Desk é uma experiência relativamente curta. Em teoria, isso poderia funcionar a seu favor — uma narrativa enxuta e direta. Porém, a falta de profundidade faz com que o jogo termine sem deixar uma impressão duradoura.

Além disso, o título se apresenta como o início de uma série, o que torna essa experiência ainda mais incompleta. Em vez de parecer um capítulo sólido, ele soa mais como uma introdução que não se sustenta por conta própria.

Vale a pena?

The Empty Desk tinha uma boa ideia nas mãos: misturar investigação com terror psicológico em um ambiente fechado e cheio de mistérios. No entanto, a falta de mecânicas envolventes, a narrativa superficial e escolhas técnicas questionáveis impedem que o jogo alcance seu potencial.

O resultado é uma experiência vazia — ironicamente alinhada com o próprio título.


Prós

  • Premissa interessante
  • Ambientação inicial com potencial
  • Modelos 3D e cenários bem construídos

Contras

  • Investigação extremamente limitada e automática
  • Ausência de puzzles relevantes
  • Narrativa rasa e pouco impactante
  • Uso de IA prejudica a imersão
  • Atmosfera inconsistente
  • Repetitivo e pouco desafiador

Plataformas: PC, PlayStation e Xbox
Cópia analisada: key fornecida para review

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