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Review – Brigandine Abyss: estratégia, monstros e uma guerra que exige planejamento

RPGs táticos costumam exigir paciência. Antes de pensar no próximo ataque, é preciso entender o terreno, conhecer suas unidades e, principalmente, saber se aquele é realmente o momento certo para entrar em uma batalha. Brigandine Abyss leva essa ideia a sério e constrói sua experiência justamente em torno de planejamento.

O novo capítulo da franquia da Happinet coloca o jogador no comando de diferentes exércitos em meio a uma nova guerra no continente de Meltitea. Só que conquistar territórios não significa simplesmente vencer batalhas em sequência. Existe todo um trabalho de preparação envolvendo líderes, monstros, equipamentos, missões e a própria organização das forças.

É um jogo que recompensa quem gosta de parar, analisar as possibilidades e pensar alguns passos à frente.

Uma guerra dividida entre diferentes histórias

A trama se passa muitos anos depois da derrota do antigo Império Abyssloa. O continente passou por um longo período de mudanças, mas a paz começa a desaparecer quando uma nova ameaça surge e o conflito volta a envolver diferentes nações.

Em vez de acompanhar apenas um protagonista, Brigandine Abyss apresenta seis campanhas diferentes. Cada uma coloca o jogador ao lado de uma facção, com seus próprios personagens, objetivos e maneira de enxergar a guerra.

Essa escolha funciona bem porque dá ao mundo uma dimensão maior. Um território que parece importante para uma facção pode representar algo completamente diferente para outra, e acompanhar diferentes lados ajuda a entender melhor o conflito.

A narrativa, entretanto, poderia ir além.

Os acontecimentos são apresentados de maneira relativamente rápida e nem sempre existe espaço suficiente para desenvolver os personagens ou criar momentos realmente marcantes. Há boas ideias no universo, mas algumas acabam ficando mais na superfície do que poderiam.

Isso não chega a comprometer a experiência, principalmente porque a estratégia é claramente o foco principal, mas quem procura uma história tão importante quanto a jogabilidade pode sentir falta de um pouco mais de desenvolvimento.

O verdadeiro combate começa antes da batalha

É durante a preparação que Brigandine Abyss encontra sua melhor forma.

A campanha é organizada em temporadas e o jogador precisa administrar suas forças antes de decidir onde atacar. É possível organizar tropas, equipar personagens, distribuir monstros, movimentar exércitos e enviar líderes para missões.

E existe uma consequência para praticamente toda escolha.

Enviar determinado líder para procurar recursos significa ficar temporariamente sem aquela unidade. Concentrar suas melhores tropas em uma fronteira pode deixar outro território vulnerável. Atacar cedo demais pode resultar em uma conquista interessante, mas também pode criar problemas para a próxima temporada.

Essa camada de gerenciamento é o que diferencia o jogo de muitos RPGs táticos.

Não basta ter um exército poderoso. É necessário saber onde colocá-lo e quando utilizá-lo.

Montando o exército

Os líderes são acompanhados por monstros, e montar esses grupos é uma parte importante da experiência.

Existe um limite para aquilo que cada líder consegue comandar, então não é possível simplesmente colocar todas as criaturas mais fortes no mesmo grupo. É preciso escolher pensando nas características de cada unidade e na função que ela terá durante o combate.

Isso abre espaço para experimentar diferentes combinações.

Algumas criaturas podem parecer pouco impressionantes isoladamente, mas ganham utilidade quando colocadas na formação certa. Equipamentos e evolução também ajudam a modificar o desempenho dos grupos, enquanto os líderes podem seguir caminhos diferentes conforme avançam.

O sistema não é exatamente difícil de entender, mas oferece uma boa quantidade de possibilidades para quem gosta de mexer na composição do próprio exército.

E quanto mais você joga, mais percebe que a montagem das tropas é quase um jogo dentro do próprio jogo.

Quando os exércitos finalmente se encontram

Depois de toda a preparação, chega o momento da batalha.

Os confrontos acontecem em mapas com grade hexagonal e seguem o tradicional sistema de turnos. Aqui, posicionamento e utilização das habilidades passam a ser fundamentais.

É preciso observar a posição das unidades, aproveitar as características do terreno e escolher bem quais inimigos atacar primeiro. Uma movimentação ruim pode colocar uma criatura em uma situação complicada, enquanto uma boa formação pode facilitar bastante o combate.

Existe uma satisfação especial quando uma estratégia planejada nos menus funciona exatamente como esperado no campo de batalha.

Porém, os combates não são perfeitos.

A inteligência artificial poderia ser mais agressiva e inteligente. Em alguns momentos, seus movimentos acabam sendo previsíveis, e isso reduz um pouco a sensação de enfrentar um adversário realmente capaz de surpreender.

A dificuldade também não chega a ser tão intimidadora quanto a proposta poderia fazer parecer. Para jogadores experientes no gênero, alguns confrontos podem acabar sendo menos desafiadores do que o esperado.

Rally adiciona uma camada interessante

Entre as mecânicas disponíveis, o sistema de Rally merece destaque.

Durante as batalhas, determinadas criaturas podem ser utilizadas para fortalecer o líder por meio de uma espécie de absorção. Isso cria uma decisão interessante: manter aquele monstro no campo ou transformá-lo em uma vantagem para o personagem principal?

É uma mecânica simples de entender, mas que adiciona mais uma possibilidade ao planejamento.

Ela também ajuda a dar valor para unidades que talvez não sejam tão eficientes quando utilizadas diretamente. Em vez de simplesmente abandonar uma criatura considerada fraca, o jogador pode encontrar outra maneira de aproveitá-la.

Nem tudo acontece no campo de batalha

Uma das coisas que mais definem Brigandine Abyss é justamente o tempo que o jogador passa longe das batalhas.

Menus e mapas fazem parte constante da experiência. É ali que você decide como suas forças serão distribuídas, quais personagens serão enviados para determinadas tarefas e onde será sua próxima ofensiva.

Para quem gosta de gerenciamento, isso é excelente.

Para quem prefere entrar rapidamente em combate, pode parecer cansativo.

O jogo não tem pressa. Ele quer que o jogador pense, organize e só então tome uma decisão. Isso também cria um ritmo diferente de outros RPGs táticos, já que algumas das decisões mais importantes acontecem antes mesmo do primeiro turno começar.

Um visual que cumpre seu papel

Visualmente, o jogo aposta em personagens com estilo anime e uma apresentação relativamente simples.

Os líderes possuem maior destaque, enquanto boa parte das unidades segue uma aparência mais genérica. Isso acaba fazendo com que o campo de batalha não seja tão impressionante quanto outros jogos do gênero, principalmente para quem espera uma grande variedade visual entre todas as unidades.

As cenas também são mais econômicas. Em vez de grandes sequências cinematográficas, o jogo trabalha principalmente com ilustrações e apresentações dos personagens.

Não chega a ser um problema, porque a direção artística combina com a proposta, mas fica claro que o foco do projeto está nos sistemas e não em tentar impressionar pela parte visual.

Uma trilha sonora que se destaca

Se existe um elemento da apresentação que consegue elevar bastante o clima da aventura, é a música.

A trilha sonora acompanha bem o tom de guerra e consegue deixar os confrontos mais importantes com uma sensação maior de grandiosidade.

As composições combinam com o universo de fantasia e ajudam a criar identidade para as diferentes situações. É um daqueles casos em que a música consegue fazer o jogador entrar mais no clima mesmo quando a apresentação visual é mais simples.

Mission Mode aumenta a longevidade

Além das campanhas, o jogo conta com um modo de missões que amplia bastante as possibilidades.

Ele coloca diferentes condições e objetivos para o jogador, incentivando a experimentar outras estratégias em vez de simplesmente repetir aquilo que funcionou durante a campanha.

É um complemento importante para um título baseado em estratégia, principalmente para quem gosta de testar novas formações e encontrar maneiras diferentes de utilizar os sistemas disponíveis.

Depois de algumas horas entendendo o funcionamento do jogo, esse conteúdo adicional ajuda a manter a experiência interessante por mais tempo.

Uma experiência para quem gosta de pensar antes de agir

Brigandine Abyss sabe exatamente o tipo de jogador que quer alcançar.

Ele não é um RPG tático preocupado apenas em colocar grandes batalhas na tela. Seu maior charme está em todo o processo que acontece antes delas: organizar tropas, escolher líderes, preparar monstros, conquistar territórios e decidir qual será o próximo movimento.

Isso funciona muito bem quando todas essas decisões começam a se encaixar.

Ao mesmo tempo, alguns problemas impedem que o jogo alcance todo o potencial de sua proposta. A narrativa poderia desenvolver melhor seus personagens, a inteligência artificial nem sempre oferece um desafio à altura e a repetição de algumas batalhas pode pesar depois de muitas horas.

Ainda assim, existe bastante conteúdo aqui para quem realmente gosta do gênero.

Brigandine Abyss é um jogo que pede planejamento e recompensa o jogador que aceita entrar no seu ritmo. Não é uma experiência para quem quer simplesmente avançar de batalha em batalha. É preciso administrar, experimentar e aprender com cada decisão.

E talvez seja justamente aí que esteja sua maior qualidade.

A guerra não começa quando o combate aparece na tela. Ela começa muito antes, quando você olha para o mapa e decide qual será seu próximo movimento.

Prós e Contras

Prós

  • Sistema de gerenciamento que complementa muito bem os combates
  • Seis campanhas com diferentes perspectivas da guerra
  • Boa variedade de líderes e monstros para experimentar
  • Sistema de Rally adiciona novas possibilidades estratégicas
  • Mission Mode aumenta bastante a longevidade
  • Trilha sonora combina muito bem com o clima de fantasia e guerra

Contras

  • História poderia desenvolver melhor os personagens
  • Inteligência artificial previsível em alguns momentos
  • Algumas batalhas podem ficar repetitivas
  • Apresentação visual poderia ter mais variedade

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