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Review | Hotel Infinity VR

Entrar no Hotel Infinity VR é aceitar, desde o primeiro instante, que nada ali vai seguir regras conhecidas. Não há recepcionista, não há hóspedes e nem mesmo a lógica básica de espaço e direção parece existir. Você assina seu nome em um livro e, em segundos, o papel desaparece. A partir daí, a experiência deixa claro que este não é um hotel comum — e muito menos um jogo de VR convencional.

Hotel Infinity VR aposta em uma ideia ousada: transformar o próprio espaço físico do jogador em parte essencial da jogabilidade. Aqui, o hotel funciona como um grande labirinto impossível, onde corredores se dobram sobre si mesmos, salas se conectam de formas ilógicas e o que estava atrás de você pode, de repente, surgir à sua frente de um jeito completamente inesperado.

Um labirinto que desafia o cérebro — e o corpo

O grande diferencial de Hotel Infinity VR está na forma como ele trabalha o conceito de espaços impossíveis. Ao caminhar por corredores que se reorganizam silenciosamente, o jogo cria a sensação constante de desorientação. O jogador nunca tem certeza se está avançando, voltando ou apenas circulando dentro da mesma área sob uma nova perspectiva.

Esse efeito funciona especialmente bem no modo room-scale, que utiliza uma área física de aproximadamente 2×2 metros. O game foi claramente pensado para ser jogado dessa forma, permitindo que você ande de verdade, se abaixe, vire o corpo e explore o ambiente sem depender tanto de locomoção artificial. É uma experiência que, aos poucos, faz o jogador esquecer que está dentro de casa.

Existe um modo estacionário para quem não dispõe desse espaço, mas ele inevitavelmente perde parte do impacto. Hotel Infinity VR brilha quando você precisa confiar nos próprios passos, mesmo sabendo que aquele abismo ou corredor estranho não é real — ainda que o corpo reaja como se fosse.

Atmosfera inquietante e narrativa silenciosa

Não espere diálogos, textos explicativos ou uma narrativa tradicional. Hotel Infinity VR conta sua história de forma ambiental, deixando tudo aberto à interpretação. A ausência quase total de trilha sonora reforça a sensação de isolamento, enquanto efeitos sonoros sutis ajudam a guiar o jogador ou a criar tensão em momentos específicos.

O hotel em si parece uma entidade viva, sempre observando. Há corredores apertados, espaços amplos e até áreas que despertam um desconforto real, especialmente para quem tem medo de altura. Em determinados momentos, o simples ato de dar um passo à frente exige coragem — algo raro em jogos que não são explicitamente de terror.

Apesar disso, o jogo nunca recorre a sustos fáceis. O medo aqui vem da antecipação, da estranheza e da sensação constante de que algo está errado, mesmo quando nada acontece.

Puzzles simples, mas bem integrados

Hotel Infinity VR não busca desafiar o jogador com quebra-cabeças complexos. Os puzzles são relativamente simples, envolvendo lógica espacial, observação e, em alguns momentos, matemática básica. O foco não está em travar o progresso, mas em estimular a exploração e a curiosidade.

O jogo é dividido em capítulos, e cada um deles leva o jogador a um novo trecho do hotel antes de retornar ao quarto, funcionando quase como um ponto de descanso antes da próxima camada de estranheza. Essa estrutura ajuda a manter o ritmo e evita que a experiência se torne cansativa.

Curto, mas memorável

É impossível ignorar que Hotel Infinity VR é uma experiência curta, podendo ser concluída em cerca de duas horas. Ainda assim, o impacto que ele causa supera facilmente sua duração. O jogo prefere deixar uma marca forte do que se alongar artificialmente com desafios repetitivos.

Mais do que um simples jogo, Hotel Infinity VR funciona como uma vitrine do potencial da realidade virtual quando bem utilizada. Ele mostra que VR não precisa apenas adaptar ideias tradicionais, mas pode criar experiências que simplesmente não funcionariam fora desse meio.

Conclusão

Hotel Infinity VR é uma experiência singular e profundamente imersiva, que usa o espaço físico do jogador como parte central da sua identidade. Mesmo com puzzles simples e duração curta, o jogo se destaca pela criatividade, pela atmosfera inquietante e pela forma inteligente como desafia a percepção de espaço.

Para quem busca entender até onde a realidade virtual pode chegar — e para quem tem espaço para jogar da forma ideal —, Hotel Infinity VR é uma recomendação quase obrigatória.


Pontos positivos

  • Uso brilhante de espaços impossíveis
  • Imersão altíssima no modo room-scale
  • Atmosfera perturbadora sem apelar para sustos baratos
  • Excelente exemplo do potencial da VR

Pontos negativos

  • Duração curta
  • Puzzles muito simples para jogadores experientes
  • Experiência perde impacto fora do room-scale

Plataformas: PS VR2, Meta Quest
Desenvolvedor / Publicadora: Studio Chyr
Key cedida para análise

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