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Review – Beat ‘Em Up Collection (QUByte Classics)

Resgatando brigas clássicas das ruas do passado

Poucos gêneros conseguiram capturar tão bem a essência do fliperama quanto o beat ‘em up. Simples na proposta, mas frenético na execução, esse tipo de jogo dominou as locadoras e os arcades nos anos 80 e 90. Clássicos como Final Fight, Double Dragon e Streets of Rage marcaram gerações inteiras, e mesmo hoje, em plena era dos roguelikes e mundos abertos, o apelo de sair dando porrada em sequências 2D ainda é forte. Com isso em mente, a brasileira QUByte Interactive continua seu trabalho de resgate histórico e nos entrega a Beat ‘Em Up Collection — uma coletânea que funciona tanto como cápsula do tempo quanto como um lembrete do que tornou esse gênero tão especial.

Dois jogos obscuros, mas com personalidade

Ao contrário do que o nome pode sugerir, esta não é uma coletânea recheada de títulos. Aqui temos apenas dois jogos: Legend (1994) e Iron Commando (originalmente cancelado, mas finalizado anos depois). Ambos compartilham raízes no Super Nintendo, embora com histórias um tanto conturbadas em termos de distribuição. Nem todos os fãs tiveram acesso a esses games na época, então essa é uma chance rara de experienciá-los oficialmente.

Legend é um beat ‘em up medieval que mistura fantasia com brutalidade. A estrutura é bem conhecida: avance pela tela, derrote hordas de inimigos e enfrente chefes com padrões simples. Com uma pegada que lembra Knights of the Round, o jogo é desafiador e tem aquele charme retrô de sprites grandes, animações engessadas e trilha sonora sintetizada que faz barulho nos ouvidos como um fliperama no auge.

Iron Commando é bem mais exagerado — quase um delírio de ação dos anos 90. Tanques, helicópteros, gangues com armas brancas e explosões gratuitas criam um clima caótico que flerta com Final Fight, mas também com Contra em certos momentos. É aquele tipo de jogo onde o nonsense é parte da diversão, e a lógica é substituída pela adrenalina o tempo todo.

Mecânicas simples, mas funcionais

Ambos os jogos têm controles básicos: botão de ataque, pulo e agarrão. A variedade de combos é limitada, e a movimentação pode parecer travada para padrões modernos. Mas dentro do que propõem, os jogos entregam uma boa dose de pancadaria old-school, com dificuldade elevada e checkpoints espaçados, como manda o figurino.

É importante destacar que essa dificuldade nem sempre é justa. Em Iron Commando, por exemplo, a colisão entre personagens e os ataques inimigos pode ser imprecisa. Já em Legend, há momentos em que o posicionamento em tela torna os combates frustrantes. Mas se você cresceu jogando títulos como Battletoads ou Double Dragon III, isso pode soar mais como um charme do que um defeito.

Fiel demais ao passado?

Um ponto que merece crítica é a abordagem da QUByte quanto ao conteúdo extra — ou melhor, à falta dele. A coletânea traz os dois jogos em sua forma original, sem qualquer tipo de bônus, como entrevistas, rascunhos conceituais, trilhas sonoras isoladas ou filtros gráficos. Nem mesmo opções de save state, rewinds ou modo online estão presentes. É uma experiência extremamente fiel — mas talvez fiel demais.

Para fãs hardcore, isso pode ser visto como respeito à obra original. Mas para quem esperava uma curadoria mais cuidadosa ou uma celebração da história desses títulos, fica a sensação de oportunidade perdida. Ainda assim, vale destacar que a performance técnica é sólida: os jogos rodam sem bugs perceptíveis, com bom tempo de resposta nos controles e compatibilidade com diferentes plataformas.

Veredito

Beat ‘Em Up Collection não é uma coletânea definitiva do gênero, mas é uma janela honesta para um pedaço pouco lembrado da era 16-bit. É um pacote enxuto, mas que cumpre o que promete: trazer de volta dois jogos obscuros e deixá-los acessíveis para o público atual. A ausência de extras e a rigidez das mecânicas podem afastar jogadores mais jovens, mas para quem cresceu nos tempos em que vidas eram limitadas e continues eram um luxo, esse é um convite nostálgico para mais uma briga de rua.



📌 Beat ‘Em Up Collection é uma coletânea modesta, mas honesta — que acerta ao trazer raridades de volta à luz, mesmo que com poucas firulas.

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compartilho minha paixão através de análises, reviews e notícias, oferecendo uma visão autêntica do mundo gamer.

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