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Review – Final Fantasy XVI: Complete Edition (Xbox Series X|S)

Quando a fantasia abraça a tragédia medieval e encontra um novo lar no Xbox.

Ao longo de décadas, Final Fantasy se reinventou diversas vezes, moldando seus mundos, sistemas e personagens para refletir os ventos de cada geração. Com Final Fantasy XVI, a Square Enix decide mirar em um tom muito mais sombrio, político e dramático — e finalmente, após um período de exclusividade, essa ousada visão chega ao Xbox com a Complete Edition, incluindo as expansões Echoes of the Fallen e The Rising Tide. O resultado é uma epopeia trágica e emocional que marca um novo capítulo para a série e uma chegada importante para os fãs da plataforma.

A era das cinzas e o destino dos Dominantes

Em vez de universos futuristas ou aventuras juvenis, Final Fantasy XVI mergulha de cabeça em um cenário medieval com nuances pesadas de guerra, escravidão e degradação social. Valisthea, o continente fictício, é sustentado por cristais-máter — fontes de poder mágico que, ao mesmo tempo que sustentam as nações, também envenenam suas relações e geram disputas brutais. Mas o grande diferencial desse mundo está nos Dominantes: indivíduos ligados aos Eikons, entidades mágicas colossais com poderes destrutivos.

O protagonista, Clive Rosfield, é o irmão do Dominante do Eikon Fênix e carrega o peso de uma tragédia que o transforma profundamente. O jogo acompanha sua jornada por mais de uma década, desde os dias como escudeiro até sua ascensão como símbolo de resistência. Diferente de outros heróis da franquia, Clive é um homem marcado por perdas profundas, guiado por uma fúria contida, mas também por um senso de justiça que o coloca constantemente em conflito com o mundo ao seu redor.

A história é uma montanha-russa emocional. Traições, conflitos entre reinos, massacres e dilemas morais tomam o lugar das tramas mais clássicas de salvar o mundo. É um drama adulto, com temas complexos como xenofobia, abuso de poder e sacrifício. Há momentos contemplativos e pesados, outros intensos e desesperadores — e a cada ato, Clive se afasta mais do garoto idealista para se tornar um guerreiro disposto a romper o ciclo de destruição imposto pelos cristais.

Combate furioso com alma de Eikon

O sistema de combate abandona completamente os turnos e abraça o estilo ação total, com controles inspirados em Devil May Cry — e não por acaso, já que Ryota Suzuki, veterano da Capcom, é o responsável direto pelo design de batalha. Clive luta sozinho, mas conta com Torgal, seu fiel lobo, para suporte tático.

Ao longo da história, Clive absorve os poderes dos Eikons e pode alternar entre diferentes conjuntos de habilidades elementais, criando sinergias criativas e combos devastadores. Shiva, Ifrit, Ramuh, Odin e outros lendários Eikons não só se tornam armas para Clive, mas também estão ligados aos maiores combates do jogo. As lutas contra outros Dominantes/Eikons são verdadeiros espetáculos interativos, misturando gameplay frenético, cenas cinematográficas e trilhas bombásticas que elevam a adrenalina ao máximo.

O jogo ainda oferece modos de dificuldade acessíveis para quem deseja apenas curtir a história, bem como desafios opcionais mais pesados e arenas específicas onde é possível testar builds e combos avançados.

Valisthea: um mundo fragmentado, mas vívido

Diferente de mundos totalmente abertos, Valisthea é dividida em grandes regiões semiabertas interligadas por um mapa de viagem rápida. O design favorece uma progressão focada, sem perder o senso de escala. Há cidades vibrantes, vilarejos em ruínas, fortalezas imponentes e paisagens deslumbrantes, cada uma com identidade própria e pequenas histórias esperando para serem descobertas.

No entanto, nem tudo são flores. As missões secundárias, especialmente na campanha principal, variam bastante em qualidade. Algumas oferecem desenvolvimento emocional surpreendente — como as que envolvem os refugiados ou os ex-escravos —, enquanto outras soam como tarefas genéricas de coleta. A Complete Edition suaviza esse problema ao trazer conteúdos adicionais melhor pensados e ajustes nas recompensas.

Trilha sonora: entre o lamento e o épico

A trilha de Final Fantasy XVI, composta por Masayoshi Soken, é uma das grandes joias do jogo. Esqueça apenas músicas temáticas ou refrões orquestrados — aqui, a trilha é um personagem por si só, reagindo ao combate, à narrativa e aos eventos dramáticos com maestria.

Temas como “Find the Flame”, “My Star” ou a música de batalha dos Eikons são absolutamente inesquecíveis. Em momentos de luto ou contemplação, Soken entrega melodias melancólicas e minimalistas. Em cenas de ação, a trilha explode em vozes corais, instrumentos épicos e uma energia que eleva cada duelo a um acontecimento catártico. É uma trilha digna de premiação.

Expansões: valor agregado de verdade

A Complete Edition inclui duas expansões — Echoes of the Fallen e The Rising Tide — e ambas são mais do que mero conteúdo adicional.

  • Echoes of the Fallen aprofunda o lore do mundo e introduz novas ameaças tecnológicas escondidas em uma torre misteriosa. Há uma atmosfera quase sci-fi nesta parte, com inimigos desafiadores e recompensas únicas.
  • The Rising Tide, por sua vez, expande o mapa, introduz o Eikon Leviathan e traz novos personagens, quests e uma das batalhas mais visualmente impressionantes de toda a franquia. Além disso, ela serve como um desfecho mais emocional e contemplativo para o arco de Clive, enriquecendo a conclusão do jogo com mais nuance e reflexão.

Para quem deseja a experiência definitiva, essas expansões não são apenas recomendáveis — são essenciais.

Performance no Xbox: quase impecável

A versão para Xbox Series X|S entrega uma performance sólida, com modos gráficos que priorizam resolução ou fluidez. Em combate, a taxa de quadros se mantém estável na maior parte do tempo, e os visuais continuam de cair o queixo: cenários detalhados, iluminação dinâmica, efeitos mágicos deslumbrantes e animações de personagens muito bem trabalhadas.

Há algumas quedas ocasionais de performance em cutscenes mais pesadas ou áreas densas, mas nada que comprometa a experiência. É uma conversão competente e bem otimizada, digna da espera.


Prós

  • História densa, madura e emocionalmente envolvente
  • Combate estiloso, variado e recompensador
  • Trilha sonora magistral que acompanha cada nuance da narrativa
  • Visual impressionante com batalhas cinematográficas
  • Expansões que agregam valor real e conteúdo relevante
  • Mundo riquíssimo em lore, personagens e drama

Contras

  • Missões secundárias nem sempre têm o mesmo nível de qualidade
  • Mundo semiaberto pode decepcionar quem esperava liberdade total
  • Ausência de múltiplos personagens jogáveis pode desagradar fãs clássicos
  • Pequenas quedas de performance em situações pontuais

Final Fantasy XVI: Complete Edition é, sem dúvidas, um dos jogos mais marcantes da franquia em décadas — não por tentar agradar a todos, mas justamente por ser fiel à sua proposta: contar uma história sombria sobre perda, sacrifício e redenção, embalada por combates intensos e uma direção artística exemplar.

A chegada no Xbox representa mais do que uma nova plataforma: é um convite para um público que há muito ansiava por viver uma fantasia com peso, coragem e coração. Um marco para a série. Um marco para os jogadores.

Disponível para: Xbox Series X|S, PlayStation 5, PC
Desenvolvido e publicado por: Square Enix
Versão analisada com chave cedida para review

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