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Review | Devil Jam: O mosh pit infernal que mistura heavy metal e roguelite

Desde a explosão monumental de Vampire Survivors, o mercado independente foi inundado por jogos de sobrevivência em arenas, formando o subgênero que muitos chamam carinhosamente de survivor-like ou bullet heaven. Com tantos clones sendo lançados mensalmente, destacar-se nesse mar de repetição exige atitude. E se tem uma coisa que Devil Jam possui de sobra, é atitude.

Desenvolvido pelo estúdio Rogueside, o título — que já havia conquistado uma fiel base de fãs no PC no final do ano passado e agora acaba de aterrissar nos consoles — troca os tradicionais magos, cavaleiros e fazendeiros por um astro do rock munido de guitarras, amplificadores e pura fúria.

Aumentamos o volume no máximo, afinamos as guitarras e descemos até o nono círculo do inferno para descobrir se esse show vale o ingresso.

Um contrato amaldiçoado e o show da sua (pós) vida

A premissa de Devil Jam é tão direta e barulhenta quanto um bom riff de power metal. Você assume o papel de um rockstar decadente que, em um momento de desespero para voltar ao topo das paradas, comete o clássico erro de assinar um contrato com o próprio Diabo. O preço do sucesso não tarda a ser cobrado: você é arrastado para o submundo e forçado a realizar a turnê da sua vida após a morte, enfrentando as hordas demoníacas do capiroto e culminando em um confronto direto contra a própria Morte.

A narrativa, obviamente, é apenas um pretexto deliciosamente cafona para justificar a carnificina, mas o jogo abraça essa identidade com força. A direção de arte desenhada à mão, apresentada em uma visão isométrica muito charmosa, está infestada de referências à cultura do heavy metal. Cenários sombrios, esqueletos roqueiros, mãos fazendo o clássico sinal dos chifres e palcos em chamas constroem uma estética única que se diferencia facilmente da fantasia medieval genérica da maioria dos seus concorrentes. E, naturalmente, a trilha sonora é recheada de guitarras distorcidas e baterias aceleradas que ditam o ritmo frenético da sobrevivência.

Caos orquestrado a 12 mãos

No campo da jogabilidade, Devil Jam respeita a cartilha do gênero à risca: o seu personagem ataca automaticamente enquanto a sua única (e crucial) preocupação é a movimentação. O objetivo é desviar das centenas — e, eventualmente, milhares — de inimigos que tentam esmagá-lo, coletar as orbes de experiência que eles deixam cair e subir de nível.

O grande pulo do gato mecânico do jogo da Rogueside está na gestão do seu arsenal. Aqui, você conta com um sistema de inventário de impressionantes 12 espaços simultâneos. Isso significa que o seu roqueiro pode empunhar e ativar até doze armas ou habilidades passivas de uma só vez.

A liberdade para montar as suas builds é gigantesca. Você pode focar em dano em área com explosões sônicas, criar um círculo de guitarras giratórias ao seu redor, ou apostar em projéteis diretos de alta velocidade. O processo de descobrir como diferentes itens se conectam e evoluem ao longo dos minutos cria um loop absurdamente viciante. Quando a sua run (corrida) “clica” e as sinergias funcionam perfeitamente, transformar a tela inteira em um verdadeiro mosh pit de destruição é uma sensação imensamente recompensadora.

As notas fora do tom

Apesar de ser um excelente passatempo, Devil Jam não escapa de algumas das maldições do seu próprio gênero. O jogo é divertidíssimo nas primeiras dezenas de horas, mas a variedade de mecânicas de inimigos não é tão vasta quanto poderia ser. Após você dominar os padrões dos chefões e descobrir duas ou três builds de armas que são esmagadoramente superiores às outras, a sensação de repetição inevitavelmente se instala.

Outro ponto que exige paciência é a legibilidade visual. Como a arte do jogo é muito rica em detalhes e totalmente desenhada à mão, quando os últimos minutos da partida chegam e a tela fica completamente lotada de inimigos, projéteis e números de dano, é incrivelmente fácil perder o próprio personagem de vista e sofrer dano bobo.

Vale um elogio enorme à localização do jogo: Devil Jam conta com textos e menus totalmente traduzidos para o Português do Brasil. Em um título onde ler as entrelinhas do que cada atualização de arma ou item passivo faz é vital para a sua sobrevivência, ter essa acessibilidade no nosso idioma faz toda a diferença.

Considerações finais

Devil Jam não reinventa a roda dos jogos de sobrevivência em arena, mas coloca espetos metálicos nela, pinta de preto e a faz girar a 200 BPM. A Rogueside entregou um título incrivelmente carismático, polido e com uma das direções de arte mais interessantes do gênero no momento.

O sistema de doze armas simultâneas adiciona uma camada de caos estratégico que vai prender fãs de roguelites por horas a fio, e a temática de heavy metal embala perfeitamente o banho de sangue isométrico. Se você está procurando uma distração rápida, frenética e cheia de atitude para os intervalos do seu dia, este é o ingresso VIP que você estava esperando.


Pontos Positivos

  • Estética e Trilha Sonora: A arte desenhada à mão e a temática de heavy metal injetam muita personalidade em um gênero já saturado.
  • Sistema de 12 armas: A possibilidade de equipar doze itens ao mesmo tempo cria um caos visual maravilhoso e sinergias de combate fantásticas.
  • Excelente otimização: Mesmo com milhares de entidades demoníacas na tela, o jogo mantém uma performance fluida e sólida.
  • Localização PT-BR: Interface e descrições de itens traduzidas para o nosso idioma com excelência.

Pontos Negativos

  • Poluição visual extrema: Nos momentos finais das fases, a tela fica tão cheia de efeitos e inimigos detalhados que é fácil se perder na confusão.
  • A inevitável repetição: A variedade de táticas se esgota após descobrir as builds mais poderosas (quebrando um pouco do desafio a longo prazo).

Devil Jam é uma carta de amor barulhenta e viciante aos fãs de roguelites e heavy metal, provando que ainda é possível inovar no saturado gênero de sobrevivência contra hordas.

Plataformas: PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.

A key da análise de Devil Jam foi gentilmente cedida pela publisher.

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