Desde o anúncio de Dynasty Warriors: Origins para o Nintendo Switch 2, uma questão dominou boa parte das conversas: desempenho. Em uma série conhecida por colocar centenas — às vezes milhares — de inimigos simultaneamente na tela, era natural que surgisse desconfiança sobre como essa nova fase da franquia se comportaria no console híbrido da Nintendo. Felizmente, após dezenas de horas de jogo, fica claro que essa preocupação, embora compreensível, não define a experiência.

Mesmo rodando a 30fps, Dynasty Warriors: Origins no Switch 2 entrega uma experiência surpreendentemente sólida, fluida e, acima de tudo, impressionante para um jogo dessa escala em modo portátil. Mais do que um simples port, estamos diante de um título que mostra o quanto a série evoluiu — e o quanto o hardware é capaz de acompanhar essa ambição.
Um novo começo que favorece o portátil
A maior mudança de Origins não está apenas na parte técnica, mas em sua estrutura. Pela primeira vez na série principal, a campanha abandona o gigantesco elenco de personagens jogáveis para focar em um único protagonista: um guerreiro errante sem nome, que serve como ponto de entrada para os eventos de Romance of the Three Kingdoms.

Essa decisão funciona ainda melhor no Switch 2 do que em outras plataformas. Com sessões de jogo mais focadas, capítulos bem definidos e um ritmo narrativo mais controlado, o título se encaixa perfeitamente em jogatinas portáteis. É fácil avançar em missões, realizar escaramuças secundárias ou evoluir armas em períodos mais curtos, sem a sensação de estar perdendo o fio da história.
Além disso, a narrativa mais contida evita a sobrecarga de nomes e eventos que sempre foi um obstáculo para novos jogadores. No Switch 2, Dynasty Warriors: Origins se mostra surpreendentemente acessível.
Combate intenso, mesmo a 30fps
Sim, o jogo roda a 30fps no Switch 2 — tanto no modo portátil quanto no dock. No papel, isso parece uma limitação significativa para um jogo de ação tão frenético. Na prática, porém, o desempenho é estável e responsivo, o que faz toda a diferença.

As batalhas continuam gigantescas. O número de inimigos simultâneos impressiona especialmente em modo portátil, criando aquela sensação quase surreal de ter um Musou “completo” rodando na palma da mão. Não há borrões excessivos, quedas bruscas de desempenho ou travamentos frequentes. O frame pacing é consistente, tornando o combate confortável mesmo nos confrontos mais caóticos.
Existe uma opção de taxa de quadros variável, mas ela acaba introduzindo pequenas oscilações perceptíveis durante movimentações de câmera. A melhor experiência, sem dúvida, é manter o jogo no modo padrão, priorizando estabilidade.
Armas, progressão e profundidade mecânica
Com apenas um personagem principal, o sistema de progressão ganha destaque. São dez tipos de armas disponíveis, cada uma com identidade própria, combos distintos e habilidades específicas para desbloquear. No Switch 2, essa progressão é especialmente prazerosa graças à natureza portátil do console, incentivando sessões focadas em dominar uma arma por vez.

A inteligência artificial dos inimigos também foi aprimorada. Diferente de entradas anteriores da série, agora é necessário prestar atenção em bloqueios, esquivas perfeitas e parries, especialmente contra oficiais inimigos. Isso dá ao combate um ritmo mais cadenciado e estratégico, mesmo com centenas de soldados em cena.
Os ataques Musou continuam sendo um espetáculo à parte, com efeitos visuais impactantes e aquela satisfação clássica de ver dezenas de inimigos sendo arremessados ao mesmo tempo.
Escala estratégica e escolhas narrativas
Outro elemento que se destaca no Switch 2 é o sistema de comandos táticos. Durante as batalhas, é possível ativar ações de grande escala, como ataques de catapultas, investidas de carruagens e barragens de flechas. Esses recursos não apenas quebram a monotonia das lutas mais longas, como também funcionam muito bem em sessões mais curtas, comuns no modo portátil.

As escolhas narrativas também contribuem para o fator replay. Decidir alianças ao longo da campanha altera o rumo da história e desbloqueia finais diferentes, incentivando novas jogadas — algo que combina perfeitamente com a proposta híbrida do console.
Visual, carregamentos e apresentação
Visualmente, Dynasty Warriors: Origins impressiona no Switch 2 pelo conjunto. Não é o jogo mais detalhado do mercado, mas a direção de arte, o tamanho dos mapas e a quantidade de inimigos compensam amplamente. Em modo dock, o jogo ganha nitidez extra; em modo portátil, a experiência continua consistente e impactante.

Os carregamentos são um pouco mais longos do que em consoles mais potentes, especialmente ao iniciar missões, e algumas cutscenes apresentam leves engasgos. Nada grave, mas perceptível. Outro ponto negativo é a dublagem em inglês, que compromete a imersão. Felizmente, o áudio em chinês com legendas é uma alternativa muito superior.
Considerações finais
No Nintendo Switch 2, Dynasty Warriors: Origins não é apenas “aceitável” — ele é surpreendentemente competente. Mesmo com a limitação de 30fps, o jogo entrega batalhas massivas, narrativa mais envolvente e sistemas mais profundos do que a franquia jamais apresentou.
É um título que se beneficia enormemente do formato híbrido, funcionando tão bem em sessões curtas quanto em longas maratonas. Para fãs de Musou, é praticamente obrigatório. Para quem sempre teve curiosidade, esta é uma das melhores portas de entrada possíveis — agora também em versão portátil de alto nível.
Pontos positivos
- Desempenho estável no Switch 2, mesmo com batalhas gigantescas
- Excelente adaptação para o modo portátil
- Narrativa mais focada e fácil de acompanhar
- Sistema de progressão profundo e recompensador
- Alto fator replay com escolhas e múltiplos finais
Pontos negativos
- Limitação a 30fps pode afastar parte do público
- Carregamentos um pouco mais longos
- Dublagem em inglês de baixa qualidade
Nota: 9/10
Plataforma analisada: Nintendo Switch 2
Também disponível em: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
key fornecida pela Koei Tecmo