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Tropicalia leva a mitologia brasileira para o centro de um RPG

O cenário dos RPGs costuma ser dominado por referências europeias e fantasias já bem conhecidas pelo público. Tropicalia, no entanto, segue pelo caminho oposto ao apostar em uma identidade totalmente brasileira, utilizando a mitologia indígena como base para sua narrativa, ambientação e construção de mundo.

Desenvolvido por Paulo Henrique Franqueira e publicado pela Ratalaika Games, o jogo propõe uma experiência que dialoga diretamente com lendas e símbolos da cultura Tupi-Guarani, algo ainda raro dentro da indústria de games, especialmente fora do circuito independente nacional.

Um universo inspirado no folclore indígena

Em Tropicalia, o jogador acompanha a jornada de Kaique, um jovem guerreiro Guarani que parte em busca de Kerana, sequestrada por uma entidade divina conhecida como Tau. A narrativa se desenvolve a partir desse conflito, conduzindo o jogador por florestas tropicais, rios, cavernas e aldeias que refletem um mundo fortemente conectado à natureza.

Ao longo da aventura, criaturas do folclore brasileiro surgem como parte integrante desse universo. Figuras como Curupira e Boitatá não aparecem apenas como inimigos, mas como manifestações de um mundo espiritual que influencia diretamente os acontecimentos da história.

Estrutura clássica com elementos modernos

Tropicalia utiliza uma estrutura de RPG por turnos, inspirada nos jogos da era 16-bits, mas incorpora mecânicas pensadas para tornar a experiência mais dinâmica. O sistema de combate inclui eventos de tempo rápido (QTEs), exigindo atenção constante durante as batalhas.

A exploração também tem papel importante. O jogo permite ações como pescar, nadar, mergulhar e cavar, incentivando o jogador a interagir com o cenário e não apenas seguir de um ponto a outro. Além disso, existe um Modo Playground, que remove os combates e foca exclusivamente na exploração e na narrativa, oferecendo uma forma alternativa de vivenciar o mundo do jogo.

Estilo visual e identidade própria

Visualmente, Tropicalia aposta em pixel art com paleta de cores vibrantes e cenários que remetem à fauna e flora brasileiras. O estilo retrô reforça a proposta de homenagear os RPGs clássicos, enquanto a direção de arte busca diferenciar o jogo por meio de referências culturais locais.

A trilha sonora acompanha essa identidade, criando uma atmosfera que reforça o aspecto místico da jornada sem recorrer a clichês sonoros comuns em fantasias tradicionais.

Um projeto que valoriza a cultura nacional

Mais do que apenas um jogo, Tropicalia se apresenta como um projeto que busca valorizar e divulgar a cultura indígena brasileira dentro dos videogames. Ao escolher mitos locais como base narrativa, o título amplia o espaço para novas representações culturais no meio e mostra que histórias fora do eixo tradicional também podem sustentar um RPG completo.

A proposta coloca Tropicalia como um exemplo de como a indústria pode explorar identidades regionais de forma criativa, respeitosa e funcional dentro da linguagem dos jogos eletrônicos.

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