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Review – Candy Rangers

Os shooters on-rails sempre ocuparam um espaço curioso na indústria dos games. Eles eliminam a necessidade de controle total de movimentação para concentrar tudo em reflexos, leitura de tela e decisões em frações de segundo. Candy Rangers nasce exatamente dessa proposta: simplificar o deslocamento e elevar a exigência mental do jogador, criando uma experiência intensa, colorida e desafiadora. No papel, a ideia funciona muito bem. Na prática, porém, nem sempre o equilíbrio acompanha a ambição.

Desenvolvido pela Mechano Games, Candy Rangers tenta unir mecânicas clássicas do gênero com uma identidade própria, apostando em um sistema de cores, gerenciamento de tempo e progressão rígida. O resultado é um jogo que alterna momentos genuinamente empolgantes com decisões de design que acabam tornando a experiência cansativa mais rápido do que deveria.


Um mundo estranho, doce e hostil

A narrativa de Candy Rangers é simples e funcional. Em um planeta que lembra a Terra, mas claramente não é, criaturas antes amigáveis sofreram mutações e passaram a ameaçar tudo ao redor. Para conter o caos, surge um esquadrão formado por quatro personagens: Candy, Mint, Plum e Lemon. Cada um representa uma cor específica e, mais importante, um tipo de projétil diferente.

A história não tenta ser profunda nem memorável, e isso não chega a ser um problema. O jogo sabe que sua força não está no roteiro, mas no ritmo da ação. Ainda assim, a falta de desenvolvimento dos personagens faz com que o envolvimento emocional seja praticamente inexistente. Eles estão ali para cumprir uma função mecânica, não narrativa.


Jogabilidade: foco absoluto e pouca margem para erro

O coração de Candy Rangers está em sua jogabilidade. Os personagens avançam automaticamente por trilhos pré-definidos, que podem se ramificar dependendo das ações do jogador. Atirar nos alvos certos, no momento correto, pode desbloquear caminhos alternativos, recompensas e, principalmente, tempo extra.

Aqui entra uma das decisões mais interessantes do jogo: não existe barra de vida tradicional. Todo dano recebido reduz o tempo disponível para concluir a fase. Isso transforma cada erro em uma ameaça real à progressão, incentivando uma postura extremamente cuidadosa e estratégica.

O sistema de cores é outro pilar importante. Inimigos são mais vulneráveis quando atingidos pela cor correspondente, remetendo imediatamente a jogos como Ikaruga, mas sem o caos de um bullet hell tradicional. A troca constante de personagens é essencial, especialmente nos confrontos mais avançados.

Além dos disparos, o jogo oferece um conjunto robusto de movimentos: pulo, pulo duplo, dash, frenagem e ataque corpo a corpo para refletir projéteis. A quantidade de comandos é considerável, o que torna o controle por gamepad praticamente obrigatório para uma experiência confortável.


Boas ideias, execução cansativa

Candy Rangers acerta ao variar as situações ao longo das fases. Em alguns momentos, o grupo se separa, limitando o acesso a certas cores. Em outros, um personagem precisa carregar um objeto, ficando temporariamente incapaz de atirar. Essas variações exigem adaptação rápida e leitura constante da tela, evitando que o jogo caia na monotonia — ao menos inicialmente.

O problema surge na estrutura de progressão. Para avançar entre áreas, é necessário coletar Ranger Medals, itens obtidos ao cumprir objetivos específicos nas fases. O grande erro aqui é a margem extremamente limitada para falhas. Na maioria dos casos, o jogador pode deixar escapar apenas uma medalha por área. Qualquer deslize extra obriga a repetir fases já concluídas, não por vontade própria, mas por pura necessidade.

Isso quebra o senso de avanço. Em vez de repetir uma fase porque ela é divertida ou porque o jogador quer se superar, a repetição vira uma obrigação. Com o tempo, essa estrutura transforma a experiência em algo mais próximo de uma tarefa do que de um jogo.


Chefes: o verdadeiro destaque

Se existe um ponto em que Candy Rangers realmente brilha, são as batalhas contra chefes. Esses confrontos utilizam tudo o que o jogo apresentou até ali e elevam a complexidade ao máximo. Troca rápida de cores, leitura precisa de padrões, uso constante de pulo, dash e ataques defensivos — tudo acontece em um ritmo intenso e recompensador.

Alguns chefes chegam a punir o jogador por usar a cor errada, recuperando vida se atingidos incorretamente. Isso adiciona uma camada estratégica rara no gênero. Além disso, a possibilidade de revisitar chefes diretamente no mapa é uma excelente decisão de design, incentivando o domínio das mecânicas sem a frustração de repetir fases inteiras.


Visual e trilha sonora: funcionais, mas pouco memoráveis

Visualmente, Candy Rangers adota um estilo inspirado em anime, com personagens carismáticos, mas cenários bastante repetitivos. A identidade artística funciona melhor nos inimigos e chefes do que nos ambientes, que rapidamente se tornam previsíveis dentro de um mesmo bioma.

A trilha sonora segue o mesmo caminho. As músicas cumprem seu papel ao criar um clima arcade animado, mas são excessivamente repetitivas. Em um jogo que exige múltiplas tentativas na mesma fase, ouvir as mesmas faixas em loop acaba se tornando cansativo e até levemente irritante com o passar do tempo.


Modos de jogo que salvam a experiência

Felizmente, Candy Rangers oferece alternativas. O Modo Arcade elimina quase todos os problemas da campanha, focando apenas na ação contínua e oferecendo uma quantidade de tempo mais generosa entre as fases. É aqui que o jogo se mostra mais divertido e acessível.

Já o Modo Hardcore faz exatamente o oposto, amplificando o desafio e reduzindo drasticamente a tolerância a erros. Para quem gostou da rigidez da campanha, esse modo entrega exatamente o que promete.


Considerações finais

Candy Rangers é um jogo com ideias criativas e momentos genuinamente empolgantes, especialmente nos confrontos contra chefes e no modo arcade. No entanto, sua campanha principal sofre com um sistema de progressão excessivamente punitivo, que mina o senso de diversão ao forçar repetições desnecessárias.

Em vez de recompensar a habilidade, o jogo frequentemente pune pequenos erros de forma desproporcional. Isso faz com que o cansaço chegue antes da satisfação. Ainda assim, para fãs de shooters on-rails que buscam algo diferente e não se importam com uma curva de exigência elevada, há diversão a ser encontrada aqui.


Prós

  • Sistema de cores bem integrado à jogabilidade
  • Chefes criativos e desafiadores
  • Uso inteligente do tempo como recurso
  • Modo Arcade extremamente divertido

Contras

  • Progressão rígida e punitiva
  • Cenários repetitivos
  • Trilha sonora cansativa a longo prazo
  • Campanha perde ritmo rapidamente

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