Antes de falar sobre Gears of War: E-Day, existe algo que precisa ser dito: nosso muito obrigado ao Xbox Brasil pela oportunidade de experimentar antecipadamente as primeiras duas horas da campanha. Agradecemos de coração pela confiança e pela possibilidade de conhecer de perto um dos lançamentos mais aguardados pelos fãs da franquia.
E que maneira de começar.
Mesmo sendo uma prévia relativamente curta, o período que passei com Gears of War: E-Day no Xbox Series foi suficiente para entender uma coisa importante: a The Coalition não está simplesmente voltando ao passado para contar novamente uma história conhecida. A proposta é revisitar um momento fundamental para a franquia e, ao mesmo tempo, apresentar uma experiência que consegue conversar tanto com quem acompanha Gears of War há anos quanto com jogadores que, assim como eu, estão tendo aqui uma oportunidade de conhecer melhor esse universo.

E-Day não começa depois da história que todos conhecemos. Ele volta ao princípio.
Um retorno ao momento que mudou tudo
Gears of War: E-Day nos coloca no início do conflito que mudaria completamente a vida da humanidade. É o chamado Emergence Day, o momento em que os Locust surgem e transformam Kalona em um cenário de caos.
No centro dessa história estão Marcus Fenix e Dom Santiago.
Mesmo sabendo da importância que esses personagens possuem para a franquia, existe algo interessante na maneira como E-Day apresenta esse período. Como alguém que não acompanhou toda a trajetória de Marcus e Dom nos jogos anteriores, não senti que precisava conhecer cada acontecimento das aventuras passadas para conseguir aproveitar a experiência.
Isso torna E-Day uma porta de entrada bastante interessante.
Ao mesmo tempo em que os fãs antigos encontrarão personagens e acontecimentos que carregam um peso enorme dentro da história da série, novos jogadores podem descobrir esse universo justamente pelo momento em que tudo começou a desmoronar.

E existe uma curiosidade especial nisso: estamos conhecendo personagens que ainda não são exatamente as figuras que a franquia transformaria em lendas.
Um esquadrão com mais possibilidades
Marcus e Dom não enfrentam o início da invasão sozinhos.
O grupo também conta com Lucas Reyes e Mags Carter, formando um esquadrão de quatro integrantes. Durante a prévia, um dos detalhes que mais chamou minha atenção foi a possibilidade de escolher qual personagem controlar.
Não estamos presos obrigatoriamente a Marcus.
É uma escolha simples, mas que pode ganhar bastante importância quando pensamos na campanha completa. A ideia de permitir que o jogador escolha qualquer integrante do esquadrão também combina diretamente com a proposta cooperativa do jogo.

A campanha completa terá suporte para até quatro jogadores online, também haverá a possibilidade de jogar em tela dividida para dois jogadores.
Na versão disponibilizada para esta prévia, entretanto, a experiência estava limitada ao modo solo.
Por enquanto, ainda é cedo para dizer o quanto a escolha do personagem vai interferir na narrativa ou na forma como cada integrante do grupo será desenvolvido. Mas é uma liberdade que certamente desperta curiosidade para o que vem pela frente.
A cobertura continua sendo a alma do combate
Se existe uma característica que define Gears of War, é o combate baseado em cobertura.
E foi justamente aqui que E-Day me mostrou com mais clareza por que essa mecânica se tornou tão importante para a identidade da franquia.
À primeira vista, esconder-se atrás de uma parede, veículo ou estrutura do cenário parece algo bastante básico. Na prática, porém, cada cobertura passa a fazer parte de uma espécie de disputa por território.
Você observa os inimigos, procura uma abertura, dispara, muda de posição e tenta avançar enquanto o campo de batalha se transforma.
Ficar parado atrás da mesma proteção simplesmente esperando o momento certo nem sempre funciona.
Existem inimigos capazes de diminuir rapidamente a distância, enquanto outros permanecem mais afastados e obrigam o jogador a lidar com diferentes ameaças ao mesmo tempo. Granadas, troca de armas e principalmente posicionamento fazem diferença.
É um combate que recompensa a leitura do cenário.
E isso é algo que gostei bastante.

Peso, impacto e brutalidade
Outro ponto que me chamou atenção foi a sensação de peso dos personagens.
Gears of War: E-Day não tenta transformar seus protagonistas em soldados extremamente rápidos que atravessam o cenário como se não estivessem carregando toneladas de equipamentos.
Existe peso na movimentação.
Mas isso não significa que o jogo seja lento.
A movimentação entre as coberturas é ágil o suficiente para manter os confrontos intensos, enquanto a sensação de impacto ajuda a transmitir a brutalidade que sempre fez parte da identidade de Gears of War.
Os disparos possuem força, os inimigos pressionam constantemente e cada avanço precisa ser pensado.
Foi justamente durante esses momentos que comecei a compreender melhor por que o sistema de cobertura não é apenas uma mecânica secundária da franquia. Ele é a estrutura em torno da qual o combate inteiro é construído.
Quando as ruas ficam mais abertas
A campanha, porém, não parece interessada em seguir uma única fórmula durante todo o tempo.
Depois de uma sequência mais linear, a prévia apresenta uma região de Kalona com uma estrutura consideravelmente mais aberta.
Aqui, o jogador pode observar o mapa, descobrir diferentes locais e decidir para onde seguir antes de continuar avançando pelo objetivo principal.
Também existem situações envolvendo sobreviventes, esquadrões e cidadãos que precisam de ajuda.
Não tive a sensação de estar diante de um mundo aberto tradicional. A proposta parece muito mais próxima de grandes áreas ou distritos abertos, nos quais existe liberdade para explorar, mas ainda há caminhos e ruas que direcionam o jogador.
E essa mudança funciona muito bem como quebra de ritmo.

Na primeira parte da experiência, a campanha conduz o jogador de maneira bastante direta. Depois, existe um pouco mais de liberdade para decidir o caminho.
O próprio combate acaba sendo afetado por isso.
Os confrontos podem surgir durante a exploração e não necessariamente apenas em arenas pelas quais todos os jogadores obrigatoriamente passarão.
Foi justamente quando comecei a me interessar mais por essa estrutura que a prévia chegou ao fim.
O grande ponto de interrogação
Se existe algo que as duas primeiras horas não conseguem responder, é justamente até onde essa estrutura mais aberta poderá chegar.
A demonstração apresentou a ideia, mas o tempo foi insuficiente para entender a variedade das atividades secundárias, o tamanho dessas regiões ou o quanto a exploração realmente será recompensadora.
E talvez essa seja uma das maiores curiosidades que ficam depois da experiência.
A The Coalition parece estar tentando equilibrar duas características que sempre fizeram parte de Gears: a campanha cinematográfica e linear com momentos de combate extremamente controlados, e agora áreas que oferecem um pouco mais de liberdade.
Se essa combinação funcionar durante toda a campanha, pode ser uma evolução interessante para a fórmula.
Uma primeira impressão muito positiva
É importante reforçar que estamos falando de uma prévia.
Duas horas não são suficientes para determinar como será uma campanha completa, principalmente em um jogo que pretende entregar uma experiência narrativa importante para uma franquia tão conhecida.
Ainda quero descobrir como os personagens serão desenvolvidos, como a história vai evoluir, de que maneira o cooperativo para quatro jogadores funcionará e quanto a estrutura mais aberta estará presente ao longo da aventura.
Mas uma prévia tem justamente essa função: deixar uma primeira impressão.
E Gears of War: E-Day deixou uma impressão muito boa.
A experiência no Xbox Series mostrou um jogo que entende perfeitamente aquilo que tornou Gears of War tão reconhecível, principalmente quando falamos do combate baseado em cobertura, do peso dos personagens e da intensidade dos confrontos.
Ao mesmo tempo, a campanha parece disposta a experimentar novas possibilidades sem abandonar completamente suas raízes.
E existe um detalhe que, para mim, talvez seja o melhor elogio possível depois de uma prévia:
quando as duas horas terminaram, eu queria jogar mais.
Isso é especialmente interessante porque E-Day também conseguiu fazer algo que considero importante: apresentar o universo de Gears of War de uma maneira que despertou minha curiosidade mesmo sem eu ter acompanhado toda a trajetória anterior da franquia.
Agora fica a expectativa para descobrir se essa excelente primeira impressão conseguirá se sustentar quando finalmente pudermos acompanhar o E-Day do começo ao fim.
Por enquanto, só existe uma certeza: a invasão começou, e eu já quero voltar para Kalona.