Há jogos de futebol que querem nos fazer acreditar que estamos diante de uma partida real. Captain Tsubasa 2: World Fighters segue exatamente pelo caminho contrário. Aqui, uma bola pode atravessar o campo como um projétil, um chute transforma-se em um espetáculo visual e uma defesa aparentemente impossível faz parte da rotina.
Depois de anos de espera, a série retorna com uma proposta que não tenta reinventar aquilo que tornou Captain Tsubasa tão especial. Em vez disso, World Fighters pega a fórmula de Rise of New Champions, simplifica algumas ideias, adiciona novas mecânicas e amplia consideravelmente o universo disponível ao jogador.

O resultado é um jogo que entende muito bem o que seus fãs procuram: partidas exageradas, personagens carismáticos e aquele sentimento de estar controlando um episódio interativo de Super Campeões.
Uma nova perspectiva para a história
A campanha é uma das partes mais interessantes de World Fighters. Em vez de simplesmente acompanhar Tsubasa durante toda a aventura, o jogo coloca o jogador dentro desse universo através de um personagem criado por nós.
A história começa no Brasil, com o protagonista sendo recrutado por Roberto Hongo para integrar o time sub-20 do São Paulo. A partir daí, começa uma jornada que coloca o personagem ao lado de figuras conhecidas da franquia enquanto novos desafios surgem pelo caminho.
Essa escolha funciona bem porque dá ao jogador uma sensação maior de participação. Não estamos apenas observando Tsubasa e seus companheiros; estamos construindo nossa própria trajetória dentro daquele mundo.

A narrativa também consegue explorar bem a rivalidade entre diferentes seleções e personagens. É uma campanha que claramente foi pensada para quem conhece a obra, mas que ainda consegue apresentar situações interessantes para quem está chegando agora.
O problema está no ritmo. Algumas sequências de diálogo são longas demais e acabam interrompendo justamente a parte mais divertida: jogar futebol.
Futebol ou jogo de luta?
Talvez essa seja a melhor maneira de explicar World Fighters.
Quem procura um simulador tradicional provavelmente ficará completamente perdido. Não existe aqui a preocupação em reproduzir futebol de maneira realista. O objetivo é reproduzir a sensação de assistir a Captain Tsubasa.
E isso funciona.
As partidas são rápidas, exageradas e repletas de efeitos especiais. Dribles, arrancadas, carrinhos, chutes especiais e defesas espetaculares fazem com que praticamente cada confronto tenha potencial para virar uma pequena cena de anime.
Uma das mudanças mais interessantes está justamente no sistema de dribles. A mecânica foi simplificada, deixando os comandos mais acessíveis e reduzindo aquela sensação de precisar decorar combinações complexas para executar determinadas ações.

Ao mesmo tempo, a resistência dos personagens adiciona uma camada importante de gerenciamento. Não dá para simplesmente utilizar habilidades especiais o tempo inteiro. É preciso saber quando gastar seus recursos e quando guardar energia para uma jogada decisiva.
Isso faz com que, por trás de toda a loucura visual, exista um pouco mais de estratégia do que pode parecer inicialmente.
Goleiro contra atacante
Entre as novidades, o confronto direto entre atacante e goleiro é provavelmente uma das ideias que mais conseguem mudar o ritmo das partidas.
Quando chega o momento de finalizar, o jogo transforma o confronto em uma espécie de disputa de leitura. O atacante precisa escolher a direção da jogada enquanto o goleiro tenta antecipar a ação.
É simples de entender, mas cria momentos interessantes principalmente quando a partida está equilibrada.
Uma defesa não representa apenas uma bola perdida. Dependendo da situação, o goleiro também pode consumir boa parte de sua resistência, fazendo com que futuras finalizações se tornem ainda mais perigosas.

É uma mecânica que ajuda a transformar algumas partidas em verdadeiros duelos, algo que combina perfeitamente com o espírito exagerado da franquia.
Chain deixa as partidas mais dinâmicas
Outra adição importante é o sistema Chain.
A possibilidade de conectar determinadas ações em sequência deixa o jogo mais fluido e dá ao jogador um incentivo maior para manter a pressão sobre o adversário.
Dribles e arrancadas podem ser combinados para alimentar a barra de Max Action, criando oportunidades para realizar jogadas ainda mais poderosas.
É justamente aqui que World Fighters mostra uma evolução interessante em relação ao jogo anterior. A experiência continua acessível, mas existe uma preocupação maior em fazer com que o jogador pense um pouco mais sobre suas ações.
Não chega a transformar o título em um jogo profundamente estratégico, mas é suficiente para evitar que tudo se resuma a apertar botões e assistir às animações especiais.

Um espetáculo para os fãs
Visualmente, World Fighters sabe exatamente o que precisa fazer.
O estilo cel-shaded continua sendo uma ótima escolha para a franquia, aproximando os personagens da aparência do anime. Os modelos são bem trabalhados e as cenas das habilidades especiais são, sem dúvida, alguns dos momentos mais empolgantes de toda a experiência.
É impossível não sorrir quando aquele chute absurdo é executado e a câmera começa a acompanhar a ação de maneira cinematográfica.
São mais de 150 novas jogadas e cenas especiais, e isso ajuda a manter a identidade da franquia muito presente durante as partidas.
O elenco também impressiona pelo tamanho. São 110 personagens jogáveis distribuídos por 22 seleções nacionais, permitindo reunir nomes conhecidos e experimentar diferentes combinações.
Para quem acompanha Captain Tsubasa há anos, esse provavelmente será um dos maiores atrativos.
A trilha sonora também merece destaque. As músicas acompanham bem a velocidade das partidas e ajudam a criar aquela atmosfera de confronto decisivo que a série sempre teve.

Nem tudo é perfeito
Apesar de todas as qualidades, World Fighters está longe de ser perfeito.
O principal problema está nos loadings frequentes. Em determinados momentos, a quantidade de interrupções é capaz de quebrar o ritmo da experiência, especialmente quando estamos envolvidos em uma partida.
Também senti que a progressão da campanha poderia oferecer mais possibilidades de personalização e evolução. A ideia de criar nosso próprio personagem é interessante, mas existe espaço para tornar esse sistema mais profundo e recompensador.
Outro ponto que merece atenção é a repetição. As partidas são divertidas, mas determinadas situações e animações podem começar a perder impacto depois de muitas horas.
E existe uma ausência que certamente será sentida pelo público brasileiro: não há legendas em português. Para uma franquia que possui uma relação histórica tão forte com o público do Brasil, essa localização faria bastante diferença.

Vale a pena?
Captain Tsubasa 2: World Fighters não quer competir com EA Sports FC ou eFootball. E ainda bem.
Sua proposta é completamente diferente. Ele quer transformar o futebol em um espetáculo de anime, colocando o jogador no meio de partidas onde as regras da realidade praticamente deixam de existir.
E é justamente quando abraça essa identidade que o jogo funciona melhor.
As novas mecânicas tornam as partidas mais interessantes, o sistema Chain melhora o ritmo, os confrontos entre atacantes e goleiros acrescentam uma camada estratégica e o enorme elenco oferece bastante conteúdo para quem é apaixonado pela franquia.
Por outro lado, os loadings frequentes, alguns problemas de ritmo na campanha, a progressão que poderia ser mais profunda e a ausência de legendas em português impedem que a experiência seja ainda mais completa.
Ainda assim, Captain Tsubasa 2: World Fighters é uma sequência que entende seu público. Ele não tenta transformar Captain Tsubasa em outra coisa. Pelo contrário: abraça justamente aquilo que fez a série ser tão marcante.
Se você cresceu assistindo Tsubasa, Hyuga, Misaki e companhia protagonizarem partidas impossíveis, provavelmente encontrará aqui exatamente o tipo de futebol que esperava.
Porque em Captain Tsubasa, fazer um gol nunca foi simplesmente fazer um gol.
É preciso transformar cada chute em um acontecimento.
Prós
- Sistema Chain deixa as partidas mais dinâmicas
- Confrontos entre goleiros e atacantes adicionam estratégia
- Controles mais acessíveis
- 110 personagens jogáveis
- 22 seleções nacionais
- Mais de 150 novas jogadas e cenas especiais
- Direção de arte fiel ao anime
- Trilha sonora empolgante
- Campanha coloca o jogador dentro do universo da franquia
Contras
- Loadings frequentes prejudicam o ritmo
- Progressão e personalização poderiam ser mais profundas
- Sequências de diálogo longas interrompem a ação
- Ausência de legendas em português
Ficha técnica
Lançamento: 27 de agosto de 2026
Desenvolvedora: TAMSOFT
Distribuidora: Bandai Namco
Plataformas: PC, Xbox Series X|S, PlayStation 5 e Nintendo Switch 2
Agradecimento:
Agradecemos à Bandai Namco pelo envio da chave para a realização deste review. Foi uma grande satisfação poder voltar aos gramados ao lado de Tsubasa e companhia.