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Review | CLAWPUNK: O caos felino em sua forma mais explosiva

Há momentos em que tudo o que precisamos nos videogames não é de uma narrativa profunda ou de mecânicas emocionais complexas, mas sim de uma dose pura, caótica e ininterrupta de adrenalina. CLAWPUNK, desenvolvido pelo estúdio Kittens in Timespace e publicado pela Megabit Publishing, foi moldado exatamente sob essa premissa.

O título indie entrega uma fusão frenética: é um jogo de ação 2D com foco em combate corpo a corpo, temperado com fortes elementos de roguelite e envelopado em uma estética cyberpunk vibrante e pixelada. Afiamos as garras, ajustamos os reflexos e mergulhamos no caos destrutivo de Feral City. Abaixo, você confere a nossa análise completa desta carta de amor à pancadaria arcade dos anos 90.

Bem-vindo à Feral City

A história de CLAWPUNK funciona mais como um pano de fundo carismático do que como uma trama densa — e isso é uma excelente escolha de design, pois o foco absoluto aqui é a ação. Você assume o controle de um esquadrão de gatos geneticamente modificados, ou “heróis felinos”, cuja missão é retomar a fictícia Feral City das garras de gangues violentas e robôs que dominam a metrópole distópica.

A narrativa não perde tempo com exposições longas ou diálogos arrastados. Em vez disso, o mundo se revela através do próprio cenário: mensagens em grafite nas paredes, transmissões distorcidas e a atitude punk transbordando em cada beco. É uma abordagem direta que prioriza o estilo, jogando você de cabeça em um mundo anárquico, vivo e banhado em luzes de neon.

Agressividade não é uma opção, é a regra

O gameplay de CLAWPUNK pode ser resumido em uma filosofia simples, mas implacável: avance e destrua. O jogo é um híbrido de plataforma e briga de rua em ritmo vertiginoso. O combate mistura ataques de curta distância — com combos de garras e chutes velozes — e o uso estratégico de um arsenal de longo alcance.

O diferencial mecânico que mais brilha aqui é o cenário: os ambientes 2D são quase totalmente destrutíveis. Essa característica não é apenas um espetáculo para os olhos, mas uma ferramenta tática vital. Derrubar o teto sobre a cabeça de um grupo de inimigos ou abrir um atalho explosivo pelas paredes traz uma satisfação indescritível.

Além disso, o sistema de combate pune quem tenta jogar na defensiva. Jogadores agressivos são recompensados: manter a pressão e elevar o seu contador de combo carrega uma barra de ataque especial, liberando habilidades devastadoras que limpam a tela em segundos. É um jogo que te obriga a estar em constante movimento.

O Airfield e a inteligência do Roguelite

Como manda a cartilha dos jogos no estilo roguelite, morrer é apenas o começo do aprendizado. Ao ser derrotado, você retorna ao Airfield, o “hub” central do jogo, onde a verdadeira progressão acontece. Durante suas investidas pelas cinco zonas do jogo, você coleta moedas especiais que são a chave para a evolução do seu esquadrão.

O maior triunfo de CLAWPUNK repousa em seu elenco. O jogo oferece nove personagens felinos jogáveis para desbloquear, cada um com atributos e uma jogabilidade radicalmente diferente. Você começará com heróis focados em velocidade e ataques de investida (dash), mas logo desbloqueará figuras gloriosamente absurdas, como um gato mais pesado que avança pelo mapa quicando em um pula-pula (pogo stick) enquanto arremessa bananas de dinamite ao seu redor. Ter “nove vidas” eleva o fator replay às alturas, incentivando a experimentação constante.

Para aprofundar a personalização, há também um excelente sistema de cartas colecionáveis. Essas cartas garantem melhorias permanentes (metaprogressão), mutando os poderes dos seus gatos ou aprimorando atributos base, como vida e dano. Encontrar a sinergia perfeita entre as cartas e o seu felino favorito é o verdadeiro gancho que te fará dizer “só mais uma partidinha” repetidas vezes.

A poluição visual e o preço da destruição

Apesar de ser uma injeção de endorfina divertidíssima, o jogo não sai ileso de falhas — e, ironicamente, o seu maior problema nasce de sua maior virtude. A ação na tela é tão intensa, rápida e entupida de explosões e blocos voando que a legibilidade visual vai para o espaço.

Em momentos de batalhas densas, é extremamente comum perder o seu próprio personagem de vista no meio do pandemônio de pixels, resultando em dano gratuito por não conseguir enxergar os minúsculos projéteis inimigos em contraste com os fundos muito coloridos.

Outro ponto de atrito é a curva de aprendizado. CLAWPUNK apresenta picos de dificuldade muito íngremes que podem transformar um trajeto tranquilo em um inferno frustrante sem aviso prévio. Quando somamos essa dificuldade acentuada com a confusão visual da tela, a frustração é garantida para os jogadores menos pacientes. O título se beneficiaria imensamente de algumas opções de acessibilidade visual para destacar os heróis e os perigos no cenário.

Considerações finais

CLAWPUNK é uma celebração caótica daquilo que faz os videogames arcade serem tão divertidos. O estúdio Kittens in Timespace entregou um roguelite incrivelmente barulhento, cheio de atitude e mecanicamente viciante.

Se você procura uma narrativa profunda ou combates táticos e silenciosos, passe longe. Mas se o que você quer é desligar o cérebro após um dia cansativo de trabalho, escolher um gato geneticamente modificado e destruir dezenas de robôs até a sua tela tremer, não procure mais. A cidade está um caos, e nunca foi tão bom ajudar a quebrar o que sobrou dela.


Pontos positivos

  • Ação frenética e destrutiva: A mistura de combate agressivo com ambientes totalmente destrutíveis entrega uma das gameplays mais gratificantes do gênero.
  • Elenco criativo: Nove heróis felinos com mecânicas e armas muito distintas, garantindo alto fator replay.
  • Progressão motivadora: O sistema de melhorias através de cartas colecionáveis recompensa a exploração e alivia a dificuldade a longo prazo.
  • Direção de arte cheia de atitude: Os gráficos em pixel art com paleta neon e a trilha sonora acelerada casam perfeitamente com a vibe do jogo.

Pontos negativos

  • Excesso de poluição visual: Muitas vezes é difícil saber onde o seu personagem está devido à imensa quantidade de explosões e luzes na tela simultaneamente.
  • Picos de dificuldade desbalanceados: Algumas áreas apresentam saltos abruptos de dificuldade que beiram o injusto.
  • Falta de acessibilidade: Ausência de filtros visuais e opções mais aprofundadas para configurar o conforto do jogador.

CLAWPUNK é uma injeção de adrenalina pura e caótica, entregando um roguelite de ação viciante onde a melhor defesa é sempre a destruição total.

Plataformas: PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.

A key da análise de CLAWPUNK foi gentilmente cedida pela publisher.

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