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Review | The NewZealand Story: Untold Adventure – Uma viagem nostálgica

A história dos videogames é repleta de fenômenos regionais curiosos. Assim como o Master System dominou o mercado brasileiro de uma forma que o resto do mundo jamais compreendeu, a Europa teve seus próprios ídolos obscuros na virada dos anos 1980 para os anos 1990. Um dos maiores exemplos dessa peculiaridade geográfica é The NewZealand Story, um jogo de fliperama desenvolvido no Japão que encontrou um sucesso estrondoso no mercado europeu ao ser incluído como um dos títulos de base (pack-in) no popularíssimo computador Amiga 500, em 1989.

Para a imensa maioria dos jogadores fora dessa bolha europeia, o título original é quase um completo desconhecido. No entanto, a força da nostalgia nos traz a The NewZealand Story: Untold Adventure, um remake que tenta modernizar o clássico para as audiências contemporâneas. Mergulhamos nesse resgate histórico para descobrir se a aventura ainda tem fôlego ou se deveria ter continuado como uma lembrança restrita aos antigos donos de um Amiga 500.

Geografia “freestyle” e uma crise de identidade

A premissa narrativa de Untold Adventure permanece fielmente intacta em relação ao material de origem. Você assume o controle de um jovem filhote de kiwi chamado Tiki, cuja missão é atravessar um labirinto de perigos para salvar seus irmãos, que foram sequestrados e engaiolados por uma foca maléfica.

A primeira grande piada não intencional do jogo é a sua direção de arte e ambientação. Apesar de carregar “Nova Zelândia” no título, não há absolutamente nada no jogo que remeta à cultura ou à geografia do país da Oceania. Tiki parece muito mais um filhote de canário amarelo genérico do que a icônica ave neozelandesa. Os cenários reforçam essa dissonância, apresentando cabanas de palha genéricas e fundos que poderiam pertencer a qualquer floresta tropical do planeta.

Essa “geografia freestyle” tem o seu charme retrô, lembrando uma época em que a precisão cultural importava muito pouco nos fliperamas. No entanto, a atualização gráfica do remake deixou as coisas mais nítidas, mas o estilo de arte carece de uma identidade visual forte, parecendo um tanto genérico para os padrões atuais.

A herança dos fliperamas e o loop de jogabilidade

No campo mecânico, The NewZealand Story: Untold Adventure segue a cartilha do seu ancestral à risca. Trata-se de um jogo de plataforma 2D onde você precisa desviar de armadilhas, pular entre plataformas e encontrar a gaiola onde o seu irmão kiwi está preso no final de cada fase. A estrutura é inegavelmente rasa e simplista, mas extremamente fácil de pegar e jogar. Contudo, existem duas mecânicas que ajudam o título a se destacar.

A primeira é o sistema de armamento rotativo. Ao coletar power-ups deixados pelos inimigos, você alterna entre diferentes tipos de armas de longo alcance, em um ciclo que remete a clássicos como Gradius. O detalhe estratégico é que, se você coletar um quarto power-up, o seu arsenal reseta para a arma inicial mais fraca. Isso exige atenção no meio do caos para não pegar itens indesejados. Há um toque de humor peculiar aqui também: ao equipar a habilidade de lançar bombas, Tiki coloca uma bandana, assumindo uma atitude de “motoqueiro rebelde”.

A segunda mecânica é o sequestro de veículos. Muitos inimigos patrulham os céus montados em balões ou naves voadoras. Ao derrubar o piloto, você pode pular nessas plataformas e assumir o controle delas, adicionando verticalidade para contornar as seções mais difíceis do mapa.

O brilho dos chefes e o tropeço da performance

Embora as fases comuns rapidamente caiam na repetição e a trilha sonora falhe em deixar melodias memoráveis, Untold Adventure encontra o seu verdadeiro ápice nas batalhas contra os chefes. Os confrontos de fim de mundo exigem um bom uso do ambiente e reflexos rápidos, contrastando fortemente com a simplicidade das fases normais.

No entanto, todo esse charme retrô esbarra em um problema técnico frustrante. Em hardwares capazes de rodar os jogos mais exigentes da atualidade (como foi testado no ASUS ROG Ally), o jogo apresenta quedas de taxa de quadros (framerate) frequentes e inexplicáveis. Em um jogo de plataforma 2D de ritmo acelerado, engasgos na tela são pecados capitais que quebram a imersão e geram mortes injustas, evidenciando problemas de otimização no código do remake.

Considerações finais: Um museu para poucos

Retirando os óculos da nostalgia, o que sobra é um jogo de plataforma extremamente datado. A sua jogabilidade é apenas funcional, a direção de arte carece de identidade cultural e os problemas técnicos atuais transformam a travessia em uma experiência por vezes irritante.

A verdade inescapável é que este remake é uma carta de amor endereçada a um destinatário muito específico. Se você cresceu na Europa jogando o port de Amiga 500 e tem a imagem deste kiwi amarelo gravada no coração, o jogo vai arrancar um sorriso do seu rosto. Mas para o público geral, o título oferece uma diversão fugaz. Não é um jogo terrível, mas a ausência de elementos marcantes e as inexplicáveis quedas de framerate garantem que The NewZealand Story: Untold Adventure dificilmente será lembrado após os créditos finais.


Pontos Positivos

  • Mecânicas preservadas: O sistema rotativo de armas e a possibilidade de roubar balões dos inimigos continuam divertidos.
  • Batalhas contra chefes: Os confrontos maiores são os momentos mais inspirados do jogo, oferecendo desafios justos.
  • Um pedaço de história: Uma oportunidade de conhecer um clássico obscuro que definiu o mercado europeu de computadores no final dos anos 80.

Pontos Negativos

  • Performance inaceitável: Quedas constantes de taxa de quadros (framerate) em um jogo visualmente simples atrapalham a precisão do gameplay.
  • Sem identidade visual: A ambientação não lembra a Nova Zelândia em nada, resultando em cenários e músicas genéricos.
  • Forte dependência de nostalgia: O level design raso não se sustenta bem para os padrões modernos sem o peso da memória afetiva.

The NewZealand Story: Untold Adventure é um resgate histórico que agrada aos antigos fãs do Amiga 500, mas cujas mecânicas datadas o tornam esquecível para o público atual.

Plataforma: PC (Steam).

A key da análise de The NewZealand Story: Untold Adventure foi gentilmente cedida pela publisher.

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