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Review – Elden Ring Nightreign: The Forsaken Hollows

Elden Ring Nightreign: The Forsaken Hollows aprofunda a proposta cooperativa e roguelite apresentada em Nightreign, entregando uma expansão mais densa, punitiva e focada em tomada de decisão sob pressão. Não se trata apenas de um novo mapa ou novos inimigos, mas de um conteúdo que ajusta ritmo, estrutura e leitura de jogo, exigindo mais planejamento do jogador e, principalmente, mais coordenação em grupo.

A FromSoftware deixa claro que este não é um conteúdo pensado para suavizar a experiência, mas para torná-la mais opressiva e estratégica.


Narrativa ambiental e o peso das consequências

Assim como no jogo base, a narrativa de The Forsaken Hollows é contada de forma fragmentada. Não há explicações diretas ou momentos expositivos longos. A história surge através do ambiente, descrições de itens e da própria existência do novo antagonista, o Dreglord, uma entidade formada pelo acúmulo de rejeitos, corpos e ressentimento deixados pela longa Noite.

Diferente de outros chefes marcantes do universo de Elden Ring, aqui não existe uma aura de grandeza ou honra trágica. O Dreglord é apresentado como consequência direta das ações do mundo, um subproduto da violência contínua. A sensação não é de enfrentar um rei ou um deus, mas algo que simplesmente sobrou quando tudo falhou.

Esse contraste fica ainda mais evidente com a presença das Weapon-Bequeathed Harmonia, figuras que representam uma ordem absoluta e impessoal. Elas não surgem como vilãs tradicionais, mas como um sistema que tenta restaurar equilíbrio à força, tratando os Nightfarers como uma anomalia a ser eliminada. A expansão reforça a ideia de que tanto o caos quanto a ordem extrema são destrutivos.


Um mapa construído para desorientar

O grande destaque de The Forsaken Hollows é o novo mapa, The Great Hollow. A área aposta em uma verticalidade intensa, mudando completamente a forma como a exploração acontece. Ao contrário de regiões mais abertas, aqui o jogador está constantemente subindo, descendo e calculando rotas, com quedas perigosas e caminhos estreitos fazendo parte da experiência.

O mapa também introduz uma mecânica central envolvendo cristais sombrios. Enquanto esses cristais não são destruídos, determinadas áreas permanecem amaldiçoadas, reduzindo drasticamente a vida máxima do personagem. Isso força decisões difíceis: avançar rapidamente e lidar com a penalidade ou explorar mais, correndo contra o tempo imposto pela progressão do ciclo.

Quando o cristal central é finalmente purificado, o mapa se transforma. A liberação de grandes saltos verticais cria uma sensação clara de recompensa, mudando o ritmo da partida e oferecendo mais mobilidade. É um exemplo eficiente de design que alterna opressão e alívio de forma bem calculada.


Classes que realmente mudam a dinâmica

As novas classes introduzidas em The Forsaken Hollows não são apenas variações estéticas ou ajustes de atributos. Elas impactam diretamente a forma como o jogo é jogado.

O Erudito funciona como uma classe de suporte ofensivo, focada em análise e uso inteligente de consumíveis. Sua capacidade de melhorar itens conforme são utilizados transforma o inventário em parte essencial do combate. Além disso, a habilidade de analisar inimigos para aplicar efeitos cria momentos de risco constante, exigindo posicionamento e leitura de batalha. É uma classe que recompensa planejamento e jogo coletivo.

Já a Coveira segue uma abordagem oposta, focada em agressividade e resistência. Seu estilo privilegia ataques pesados, alta tenacidade e sinergia com habilidades supremas dos aliados. Em grupos bem coordenados, a Coveira se torna uma força constante de pressão, mantendo o ritmo de combate elevado e punindo inimigos de forma consistente.

Essas classes reforçam a identidade cooperativa de Nightreign, deixando claro que a experiência funciona melhor quando há comunicação e entendimento dos papéis dentro do grupo.


Estrutura roguelite e cooperação em evidência

A estrutura básica de Nightreign permanece: partidas divididas em ciclos, exploração durante o dia, aumento de dificuldade à noite e o confronto final aguardando no terceiro dia. The Forsaken Hollows não reinventa essa fórmula, mas a torna mais exigente.

O novo mapa, aliado às penalidades de maldição e à necessidade de coordenação, aumenta a pressão sobre o grupo. Decisões erradas são punidas rapidamente, e a margem para improviso é menor. Ainda assim, quando tudo funciona, a sensação de progressão e sobrevivência coletiva continua sendo um dos pontos mais fortes da experiência.


Considerações finais

Elden Ring Nightreign: The Forsaken Hollows é uma expansão voltada para quem já entende e aprecia a proposta de Nightreign. Seu foco em verticalidade, punição constante e cooperação aprofundada torna a experiência mais intensa, mas também menos acessível.

Narrativamente, o conteúdo mantém o padrão da FromSoftware, trabalhando temas de decadência e consequência sem recorrer a explicações diretas. No gameplay, entrega um mapa marcante e classes que realmente alteram a dinâmica das partidas.

Não é um conteúdo pensado para agradar todos os jogadores, mas para desafiar aqueles que buscam algo mais exigente dentro do universo de Elden Ring.


Pontos Positivos

  • Novo mapa com forte identidade e uso inteligente de verticalidade
  • Classes inéditas que alteram significativamente a dinâmica do jogo
  • Boa integração entre narrativa ambiental e design de fases
  • Estrutura cooperativa que recompensa coordenação e planejamento

Pontos Negativos

  • Curva de aprendizado mais elevada que pode afastar jogadores menos pacientes
  • Ritmo mais opressivo, com pouca margem para erros
  • Dependência maior de jogo cooperativo bem organizado

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S
Desenvolvedora: FromSoftware
Publicadora: Bandai Namco Entertainment

Obrigada Bandai pelo envio da chave.

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