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Review | Final Fantasy VII Rebirth – A espera dos jogadores de Xbox finalmente acabou

Poucos jogos carregam um legado tão importante quanto Final Fantasy VII. Desde seu lançamento em 1997, o clássico da Square se tornou uma referência para o gênero RPG e ajudou a transformar a franquia em um fenômeno mundial. Quando a Square Enix anunciou que reconstruiria essa aventura em uma trilogia moderna, as expectativas foram às alturas. O primeiro capítulo, Final Fantasy VII Remake, mostrou que a empresa estava disposta a expandir significativamente a obra original. Agora, com Final Fantasy VII Rebirth chegando finalmente ao Xbox Series X|S após anos de espera, surge a oportunidade para uma nova parcela de jogadores embarcar nessa jornada épica.

E não estamos falando de qualquer lançamento. Rebirth é um dos RPGs mais ambiciosos da geração, um jogo gigantesco que busca transformar cada momento da aventura original em algo muito maior. O resultado é uma experiência impressionante em diversos aspectos, embora nem todas as escolhas feitas pela Square Enix atinjam o mesmo nível de excelência.

A longa espera dos jogadores de Xbox

Durante muito tempo, parecia que os fãs de Xbox ficariam de fora da nova saga de Final Fantasy VII. Enquanto jogadores de PlayStation acompanhavam a evolução da trilogia, a comunidade da plataforma da Microsoft observava de longe uma das produções mais comentadas da indústria.

Por isso, a chegada de Rebirth ao Xbox possui um significado especial. Mais do que simplesmente receber um grande RPG, os jogadores finalmente têm acesso a uma das obras mais importantes da Square Enix dos últimos anos.

A boa notícia é que a espera valeu a pena. A versão para Xbox Series X entrega uma experiência técnica extremamente sólida, com qualidade visual impressionante e desempenho praticamente equivalente ao encontrado no PlayStation 5. Para quem aguardou todos esses anos, não há sensação de estar recebendo uma versão inferior ou apressada.

Além disso, o lançamento simboliza uma aproximação importante entre a Square Enix e o ecossistema Xbox, algo que muitos fãs pediam há anos. É uma vitória não apenas para os jogadores da plataforma, mas também para a preservação e democratização de uma das franquias mais importantes dos videogames.

Uma aventura que finalmente ganha escala

Se Final Fantasy VII Remake serviu para expandir Midgar, Rebirth é o momento em que a aventura realmente se abre.

A história começa logo após os acontecimentos do primeiro jogo, com Cloud e seus companheiros chegando a Kalm. É ali que o protagonista relembra os eventos envolvendo Sephiroth e a destruição de Nibelheim, dando início à próxima etapa da jornada.

A partir desse ponto, o mundo deixa de ser composto por corredores e áreas relativamente fechadas. O jogador passa a explorar regiões enormes, cada uma com identidade própria, atividades exclusivas e histórias paralelas que ajudam a enriquecer o universo do jogo.

Locais clássicos como Junon, Costa del Sol, Gold Saucer, Cosmo Canyon e Nibelheim retornam completamente reconstruídos, preservando sua essência enquanto recebem uma escala muito maior. É impossível não sentir um forte sentimento de nostalgia ao revisitar esses lugares sob uma nova perspectiva.

O problema é que essa expansão nem sempre beneficia a narrativa.

Uma história emocional, mas nem sempre bem equilibrada

A trama principal continua acompanhando a perseguição de Sephiroth, mas Rebirth dedica muito mais tempo ao desenvolvimento dos personagens e das regiões visitadas do que à ameaça central.

Por um lado, isso funciona muito bem. Cloud, Tifa, Aerith, Barret, Yuffie e Red XIII recebem um nível de aprofundamento muito superior ao do jogo original. Os diálogos são excelentes, os momentos de interação fortalecem os laços entre os personagens e diversas cenas emocionais ganham muito mais impacto.

Por outro lado, a narrativa frequentemente perde ritmo.

A Square Enix parece determinada a expandir absolutamente tudo. Pequenos acontecimentos do clássico de 1997 se transformam em longos segmentos, enquanto novas ideias são introduzidas para surpreender veteranos da franquia.

O resultado é uma história que constantemente sugere grandes mudanças, apenas para retornar rapidamente ao caminho conhecido. Em vários momentos, a sensação é de que certas reviravoltas existem apenas para gerar especulações entre os fãs.

Outro ponto que pode dividir opiniões é a mudança de tom. O Final Fantasy VII original possuía momentos de humor, mas mantinha uma atmosfera predominantemente melancólica. Em Rebirth, o humor recebe muito mais destaque, e algumas cenas acabam diminuindo o peso dramático de eventos importantes.

Ainda assim, quando o jogo decide focar em seus personagens e emoções, entrega alguns dos melhores momentos narrativos vistos na franquia nos últimos anos.

Um sistema de combate simplesmente fantástico

Se existe um aspecto praticamente incontestável em Rebirth, é seu combate.

A base criada em Remake já era excelente, mas aqui tudo parece mais refinado e completo.

As batalhas combinam ação em tempo real com elementos estratégicos da clássica barra ATB. Enquanto ataques básicos acontecem livremente, habilidades especiais, magias e itens exigem planejamento e administração de recursos.

A troca instantânea entre personagens torna os confrontos extremamente dinâmicos. Cada integrante do grupo possui características próprias e incentiva estilos de jogo diferentes.

Cloud continua versátil e equilibrado. Tifa é rápida e devastadora contra inimigos atordoados. Barret domina o combate à distância. Aerith segue sendo uma poderosa especialista em magia. Já personagens como Yuffie e Red XIII receberam adaptações brilhantes para o sistema moderno.

As novas habilidades de Sinergia elevam ainda mais a qualidade das batalhas. Além de espetaculares visualmente, elas incentivam o uso de toda a equipe e adicionam novas camadas estratégicas aos confrontos.

O resultado é um dos sistemas de combate mais divertidos e completos que a Square Enix já criou.

O brilho do sistema de Matérias

O lendário sistema de Matérias continua sendo um dos maiores acertos da franquia.

A liberdade para combinar habilidades, magias e efeitos especiais permite criar personagens completamente diferentes entre si. O jogo recompensa experimentação e criatividade, permitindo que cada jogador desenvolva sua própria estratégia.

As possibilidades aumentam ainda mais graças à enorme variedade de equipamentos disponíveis ao longo da aventura.

Já o sistema de Folios, responsável pela progressão complementar dos personagens, não alcança o mesmo nível de sucesso. Embora ofereça novas habilidades e melhorias de atributos, sua apresentação é pouco intuitiva e muitas recompensas parecem pequenas demais para justificar o investimento necessário.

Não chega a prejudicar a experiência, mas certamente está longe de ser um dos destaques do jogo.

Um mundo enorme para explorar

Uma das maiores diferenças em relação a Remake está na exploração.

Cada região apresenta mapas amplos repletos de atividades opcionais, segredos, chefes especiais, missões secundárias e desafios variados.

Viajar pelos campos montado em Chocobos transmite uma sensação de aventura que remete diretamente ao espírito do Final Fantasy VII original.

As áreas são lindas, bem construídas e constantemente recompensam a curiosidade do jogador. Sempre existe algo interessante para descobrir no horizonte.

Porém, nem tudo funciona perfeitamente.

Muitas atividades seguem fórmulas bastante conhecidas dos jogos de mundo aberto modernos. Escanear torres, marcar objetivos e cumprir tarefas repetitivas acaba gerando momentos de desgaste ao longo de uma campanha que pode facilmente ultrapassar as 80 horas.

Conteúdo para duas aventuras

Poucos jogos conseguem oferecer tanto conteúdo quanto Rebirth.

A quantidade de atividades paralelas é simplesmente absurda. Há corridas de Chocobo, desafios de combate, apresentações musicais, minigames de ritmo, tiro, estratégia e muito mais.

Alguns deles são tão bem feitos que poderiam existir como jogos independentes.

O destaque absoluto fica para Queen’s Blood, um viciante jogo de cartas que rapidamente se torna uma das melhores distrações de toda a aventura.

Por outro lado, alguns minigames aparecem com frequência excessiva e acabam interrompendo o fluxo da narrativa principal. Em determinados momentos, a sensação é de que a Square Enix tentou transformar cada pequena ideia em uma atividade obrigatória.

Um espetáculo audiovisual

Visualmente, Final Fantasy VII Rebirth é simplesmente impressionante.

Mesmo após mais de dois anos desde sua estreia original, continua sendo um dos jogos mais bonitos disponíveis nos consoles atuais.

A direção de arte é espetacular. Cada região possui personalidade própria, cenários memoráveis e paisagens que frequentemente fazem o jogador parar apenas para admirar o ambiente.

Os modelos dos personagens são excelentes, as animações impressionam e os efeitos visuais das batalhas estão entre os melhores da indústria.

No Xbox Series X, o desempenho também merece elogios. O modo Performance oferece uma experiência fluida a 60 quadros por segundo, enquanto o modo Qualidade entrega imagens mais detalhadas para quem prioriza o aspecto visual.

A trilha sonora, por sua vez, é uma verdadeira obra-prima. Os arranjos modernos das músicas clássicas conseguem despertar nostalgia ao mesmo tempo que trazem uma identidade renovada para a aventura.

Vale a pena?

Final Fantasy VII Rebirth é exatamente o tipo de jogo que só aparece algumas vezes durante uma geração.

Gigantesco, ambicioso e recheado de conteúdo, ele entrega uma experiência memorável para fãs de RPG. Nem todas as mudanças narrativas funcionam, e o excesso de atividades secundárias pode comprometer o ritmo em alguns momentos, mas suas qualidades superam facilmente seus defeitos.

Mais importante ainda, os jogadores de Xbox finalmente podem entender por que esta trilogia vem sendo tão celebrada nos últimos anos. Depois de uma longa espera, Rebirth chega à plataforma em excelente forma e mostra que a jornada de Cloud continua sendo uma das maiores aventuras que os videogames têm a oferecer.

Mesmo com algumas decisões questionáveis, estamos diante de um RPG espetacular, visualmente deslumbrante e com um dos melhores sistemas de combate da atualidade.

Prós

✅ Sistema de combate excelente e extremamente profundo
✅ Desenvolvimento marcante dos personagens principais
✅ Mundo vasto e repleto de conteúdo
✅ Trilha sonora fantástica
✅ Visual impressionante
✅ Excelente desempenho no Xbox Series X
✅ Grande quantidade de atividades e desafios

Contras

❌ Ritmo narrativo irregular em alguns trechos
❌ Excesso de minigames obrigatórios
❌ Algumas mudanças na história podem dividir fãs do original
❌ Certas atividades de mundo aberto se tornam repetitivas
❌ Sistema de Folios pouco inspirado

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

Cópia do jogo cedida para análise.

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