Nem toda guerra é travada na Terra. Em Otherwar, o conflito acontece nos portões do próprio paraíso, onde um anjo solitário precisa enfrentar uma invasão demoníaca vinda das profundezas. Desenvolvido pela Kantal Collective e publicado pela Take IT Studio!, o jogo entrega uma combinação inusitada: tower defense com elementos de bullet hell. O resultado é uma experiência que exige tanto reflexos quanto estratégia, criando algo que se destaca entre os indies recentes.

Um anjo contra o inferno
A trama é simples, mas eficaz. Você é um anjo guardião designado para proteger o Portão do Céu — a última barreira que separa o mundo celestial das forças infernais. Cada missão representa uma onda de invasões demoníacas que testam sua habilidade de pensar rápido e agir com precisão. O enredo não se estende em longas cutscenes, mas é sustentado pela atmosfera e pelo tema visual: um universo sombrio e sagrado ao mesmo tempo, retratado em pixel art de traços finos e cores contrastantes.
Estratégia com movimento
O grande diferencial de Otherwar está na forma como ele mescla gêneros que normalmente não coexistem. A estrutura de tower defense está lá — você posiciona torres, aprimora estruturas e define rotas de ataque. Mas enquanto isso, o anjo que você controla entra diretamente na ação, desviando de balas, disparando contra inimigos e coletando recursos.
Essa mistura transforma a defesa estática em uma dança de sobrevivência. Cada decisão importa: o local de uma torre pode definir o sucesso da rodada, mas a precisão dos seus movimentos também influencia no resultado. O jogador alterna entre momentos de planejamento e pura agilidade, o que mantém o ritmo sempre dinâmico e desafiador.

Dificuldade celestial
Otherwar não tenta ser um jogo fácil. A curva de aprendizado é firme e recompensa quem observa padrões e administra o campo com calma. As hordas inimigas apresentam ataques variados, com projéteis que formam verdadeiros labirintos visuais. É uma experiência que exige atenção constante — e uma paciência quase angelical para não se perder em meio ao caos.
As nove fases principais são curtas, mas intensas. Cada uma tem seu próprio tipo de inimigo e padrão de ataque, e completar todas requer domínio das torres e das habilidades do personagem. A sensação é de estar sempre à beira da derrota, o que dá aquele gostinho de conquista a cada vitória.
Visual e trilha sonora
O estilo pixelado é um dos maiores acertos do jogo. A arte usa uma paleta de cores que alterna entre dourados celestiais e tons sombrios de vermelho e preto, representando perfeitamente a luta entre luz e trevas. As animações são sutis, mas fluidas, e cada torre tem um design distinto, reforçando a ideia de que o campo de batalha é um santuário em guerra.
A trilha sonora acompanha o ritmo com composições eletrônicas e corais discretos, transmitindo tanto urgência quanto espiritualidade. É o tipo de som que eleva o clima de tensão sem se tornar repetitivo, mesmo após várias tentativas nas fases mais difíceis.
Pontos fortes e fracos
Prós:
- Combinação criativa de tower defense e bullet hell;
- Arte em pixel com ótimo uso de cores e ambientação;
- Desafio constante e recompensador;
- Sistema de torres e habilidades bem equilibrado.
Contras:
- Duração curta, com poucas fases;
- Ritmo que pode parecer lento nas primeiras missões;
- Falta de modos extras ou conteúdos adicionais que aumentem a longevidade.
Vale a pena jogar?
Otherwar é o tipo de jogo que surpreende pelo conceito e pela execução. Ele não tenta competir com produções gigantes, mas mostra como uma boa ideia pode gerar uma experiência viciante. É desafiador, artístico e, acima de tudo, coerente com a sua proposta.
Para quem aprecia jogos independentes que ousam misturar estilos, Otherwar é uma joia escondida. Ele não pretende ser longo nem grandioso, mas o que entrega é uma batalha intensa entre fé, estratégia e reflexos rápidos — um verdadeiro teste de habilidade, em todos os sentidos.
Plataformas: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5 e Xbox Series X|S
Desenvolvedora: Kantal Collective
Publicadora: Take IT Studio! / Untold Tales