Quando Daemon X Machina foi lançado em 2019, a recepção foi curiosa: um jogo com identidade visual marcante, muita ação e uma proposta ousada para os fãs de mechas, mas limitado por escolhas de design e uma disponibilidade restrita a pouquíssimas plataformas. Ele parecia um daqueles títulos que tinham potencial para crescer, mas acabaram ficando esquecidos. Cinco anos depois, a Marvelous decidiu não só revisitar a ideia, mas expandi-la em uma sequência que chega agora para todas as plataformas. Daemon X Machina: Titanic Scion é a tentativa de dar fôlego novo a uma franquia que parecia adormecida.

Primeira impressão: controle total de um Arsenal
Logo nos primeiros minutos, o jogo deixa claro o que quer de você: ação rápida e a sensação de estar no controle de uma máquina de guerra altamente móvel. Os Arsenals — como são chamados os mechas — não são aquelas estruturas pesadas e lentas de outros jogos do gênero. Aqui, tudo gira em torno de velocidade, liberdade de movimento e variedade de ataques. Seja no chão, deslizando pelo cenário, ou nos céus, sustentado por propulsores, o jogador tem sempre a sensação de estar um passo à frente do inimigo.
A proposta funciona bem porque o jogo valoriza a experimentação. É possível equipar diferentes tipos de armas, desde espadas e machados até rifles, canhões a laser e lança-mísseis. Nada parece restritivo demais, e a liberdade de customização é um dos maiores atrativos: cada parte do Arsenal pode ser trocada ou melhorada, permitindo que o jogador crie uma máquina que realmente se encaixe no seu estilo de combate.

Uma guerra que vai além das máquinas
Por trás das batalhas, Titanic Scion tenta contar uma história de conflito político e moral. Seu personagem, um Outer, faz parte de um grupo que vive dividido entre facções. De um lado, a Axiom, entidade controladora que deseja impor sua visão sobre o planeta; do outro, os Reclaimers, que lutam pela liberdade. A jornada do jogador começa em meio a esse fogo cruzado, logo após sobreviver a uma batalha que o deixa vulnerável e sob a guarda de rebeldes.
A narrativa, por mais que use muitos nomes e termos específicos, acaba funcionando como pano de fundo para refletir sobre as consequências da guerra, sobre como soldados podem se perder em meio a ideologias e esquecer das pessoas comuns afetadas pelos combates. Não é a história mais inovadora do mundo, mas é suficiente para sustentar a experiência e dar contexto ao caos que o jogador enfrenta.

Ainda assim, há escolhas de localização que podem incomodar. A dublagem exagerada e o excesso de piadinhas acabam tirando a seriedade de algumas cenas, fazendo com que certos momentos mais intensos soem deslocados. Para quem encara o jogo como um anime de ação, isso pode até funcionar; para quem busca uma trama mais sóbria, pode ser frustrante.
Missões e progressão
O jogo apresenta um mundo aberto, mas não espere algo denso e cheio de atividades variadas. As missões seguem uma estrutura simples: ir até uma região, eliminar inimigos ou coletar recursos, e voltar à base. Apesar dessa repetição, o combate dinâmico ajuda a manter o interesse, já que cada encontro pode ser enfrentado de formas diferentes dependendo das armas e upgrades que você escolhe.

Na base, o jogador encontra o centro de gerenciamento: é lá que aceita novas missões, participa de batalhas contra outros Outers, investe em melhorias e cuida da evolução do seu Arsenal. Essa parte é essencial para dar ritmo ao progresso, já que muitas armas e equipamentos exigem materiais coletados nas missões. A repetição de grind pode cansar alguns jogadores, mas quem gosta de testar builds diferentes vai encontrar aqui um prato cheio.
A sensação de estar no campo de batalha
O ponto alto de Titanic Scion é o combate. Ele consegue ser intenso e variado, sem cair no problema de armas desequilibradas. Cada arma tem seu peso e utilidade, e o jogo incentiva o jogador a experimentar combinações, sem deixar uma opção claramente superior às demais. Essa consistência é rara em jogos do gênero e ajuda a manter o gameplay divertido mesmo após horas de jogo.
Visualmente, o jogo tem estilo. Não é o mais impressionante tecnicamente, mas sua direção artística, com cores fortes e um design futurista, chama atenção. Infelizmente, a trilha sonora não acompanha o mesmo nível de impacto. Embora use bastante metal para reforçar a ação, as músicas acabam soando genéricas e repetitivas, sem criar aquela identidade sonora que poderia ter marcado mais o título. Em alguns momentos, a vontade de colocar outra playlist para tocar acaba sendo irresistível.

Cooperação como diferencial
Um aspecto que merece destaque é o modo cooperativo. Toda a campanha pode ser jogada em coop online, e ainda há crossplay, permitindo que jogadores de diferentes plataformas se unam. Essa funcionalidade, que infelizmente ainda é rara em muitos lançamentos, dá ao jogo uma longevidade maior, especialmente para quem gosta de enfrentar desafios ao lado de amigos.
Conclusão
Daemon X Machina: Titanic Scion é, antes de tudo, um jogo divertido. Ele não reinventa a roda, mas oferece um combate sólido, customização interessante e uma boa dose de ação desenfreada. Sua narrativa pode tropeçar em diálogos e exageros, e o mundo aberto não empolga tanto, mas quando o assunto é estar no controle de um Arsenal e partir para o campo de batalha, poucos jogos entregam essa sensação com tanta intensidade.
Prós e Contras
Prós:
- Combate dinâmico e variado
- Boa liberdade de customização dos Arsenals
- Coop online e crossplay em toda a campanha
- Direção artística estilosa e visual marcante
Contras:
- Missões repetitivas e mundo aberto pouco inspirado
- Trilha sonora genérica e pouco memorável
Daemon X Machina: Titanic Scion está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, PC e Switch 2.
Análise realizada com um código fornecido pela XSEED Games.