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Review – Romeo is a Dead Man

Falar de Romeo is a Dead Man é, inevitavelmente, falar de Suda51.

Goichi Suda nunca foi um criador interessado em seguir tendências. Sua carreira sempre foi marcada por projetos estranhos, violentos, filosóficos e desconfortáveis. Em uma indústria cada vez mais padronizada, Romeo is a Dead Man surge como mais uma obra que carrega a assinatura criativa de Suda51 em cada detalhe — da narrativa fragmentada ao combate exagerado e estilizado.


A marca Suda51: caos com propósito

Romeo Stargazer é um jovem policial apaixonado por Juliet, uma garota misteriosa que sofre de amnésia. No dia em que planejam fugir juntos, uma entidade conhecida como White Devil o ataca brutalmente, arrancando seu braço e parte do rosto. Ele é salvo pelo avô cientista excêntrico, que o reconstrói como DeadMan — um ser preso entre vida e morte.

A partir daí, o absurdo se intensifica: Romeo passa a atravessar linhas temporais fragmentadas para eliminar versões alternativas de Juliet espalhadas pelo universo.

Essa premissa já entrega algo essencial sobre o jogo: lógica tradicional não é prioridade. Assim como em outras obras dirigidas por Suda51, o jogador é lançado no meio do caos e precisa aceitar que nem tudo será explicado de forma direta.

Mas existe coerência dentro da loucura.

A morte é um tema central. Cada “game over” traz uma sequência impactante antes do tempo se reverter. A repetição transforma a morte em rotina — e isso conversa diretamente com a jornada psicológica de Romeo. Suda não usa a violência apenas como choque; ele a usa como ferramenta narrativa.


Estética maximalista: quando exagero vira identidade

Romeo is a Dead Man é visualmente intenso. O jogo mistura diferentes estilos artísticos como se estivesse montando um grande zine interativo:

  • Cutscenes em engine
  • Trechos em 2D com caixas de texto
  • Sequências em estilo motion comic
  • Momentos com estética experimental

Essa mistura não é acidental. Ela reforça a identidade caótica e autoral do projeto.

Os combates são marcados por explosões de sangue estilizadas, efeitos exagerados e ataques especiais que transformam a tela em um espetáculo visual. Os golpes “Bloody Summer” são tão intensos quanto satisfatórios.

A trilha sonora segue o mesmo caminho: faixas agressivas, melancólicas e até vocais exclusivos para chefes. Cada confronto importante parece uma performance teatral.


Estrutura e fases: aprendendo com o passado

Um ponto interessante é como o jogo parece aprender com críticas feitas a projetos anteriores do estúdio.

Aqui cada capítulo possui um estágio completo antes do chefe. Não é apenas uma sequência de arenas. Os cenários variam entre ambientes como shopping abandonado, hospital psiquiátrico e fazenda isolada, sempre com alguma variação temática ou mecânica.

Entre as missões, o jogador retorna à nave Last Night, que funciona como hub. É ali que se compra melhorias, gerencia criaturas invocáveis e participa de minigames que ajudam a expandir o universo do jogo.


Combate: evolução clara da fórmula

Se há algo que Suda51 sempre soube fazer bem, é transformar violência estilizada em mecânica prazerosa.

Romeo conta com oito armas desbloqueáveis — quatro corpo a corpo e quatro de longo alcance — cada uma com combos e habilidades próprias. O medidor de sangue permite executar ataques especiais devastadores que também restauram vida.

Mas o diferencial está nos “Bastards”, criaturas invocáveis que funcionam como suporte estratégico. Elas podem curar, causar dano em área ou oferecer controle de grupo, adicionando profundidade real ao sistema.

O combate exige domínio. Em dificuldades mais altas, inimigos causam dano significativo e chefes se tornam verdadeiros testes de resistência e aprendizado de padrões.

Existem pequenos problemas técnicos, como hitboxes que poderiam ser mais precisas, mas nada que comprometa a experiência geral.


Relações humanas cruas e imperfeitas

Outro ponto característico da escrita de Suda51 é a forma como ele retrata relações humanas.

Romeo e Juliet não vivem um romance idealizado. O relacionamento é intenso, problemático e muitas vezes desconfortável. Parte da história é apresentada de maneira fragmentada, deixando espaço para interpretação.

Eles são personagens falhos — e isso é proposital. O jogo parece menos interessado em contar uma história de amor tradicional e mais focado em explorar obsessão, identidade e o peso emocional da repetição.


Conclusão

Romeo is a Dead Man é mais do que um jogo de ação estilizado. É uma obra que carrega a assinatura criativa de Suda51 com orgulho.

Ele é exagerado, violento, às vezes confuso e claramente feito sem medo de dividir opiniões. Em um mercado onde muitos projetos buscam agradar o máximo possível de pessoas, Romeo escolhe outro caminho: ser fiel à sua identidade.

Não é uma experiência para todos. Mas para quem aprecia jogos com personalidade forte, desafio elevado e narrativa carregada de simbolismo, é uma experiência que dificilmente será esquecida.


Pontos Positivos

  • Combate profundo e estratégico
  • Chefes intensos e desafiadores
  • Direção artística ousada
  • Trilha sonora marcante
  • Forte identidade autoral de Suda51

Pontos Negativos

  • Pequenas inconsistências técnicas
  • Reutilização pontual de elementos
  • Narrativa pode parecer confusa para parte do público
  • Alto nível de dificuldade pode afastar jogadores casuais

key cedida para review.

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