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Review | LumenTale: Memories of Trey – Um mundo cheio de personalidade que encontra seu próprio caminho

Os RPGs de captura de monstros vivem sob uma sombra difícil de ignorar. Sempre que um novo representante do gênero surge, as comparações com Pokémon são inevitáveis. Muitos tentam replicar a fórmula, outros procuram inovar a qualquer custo. Já LumenTale: Memories of Trey segue um caminho diferente: ele entende suas inspirações, mas prefere construir sua própria identidade.

Desenvolvido com uma clara paixão pelo gênero, o título apresenta uma aventura que mistura exploração, narrativa, coleta de criaturas e batalhas estratégicas em um mundo repleto de história. O resultado não é uma revolução, mas sim uma experiência extremamente competente que conquista justamente por saber o que quer ser.

Um protagonista perdido em um mundo fascinante

A história acompanha Trey, um jovem que desperta sem suas memórias e inicia uma jornada para descobrir quem realmente é. Embora a amnésia seja um recurso bastante utilizado nos videogames, LumenTale consegue manter o interesse do jogador graças ao universo que constrói ao redor do protagonista.

O continente de Talea é um dos grandes destaques da aventura. Existe um cuidado evidente na construção de sua mitologia, das tensões políticas entre regiões até a forma como tecnologia e tradição coexistem em diferentes partes do mundo. Conforme a jornada avança, novas informações sobre os misteriosos Animon, a energia conhecida como Anivis e a organização Lumen ajudam a enriquecer ainda mais esse universo.

O roteiro não depende apenas dos mistérios envolvendo Trey. Os personagens secundários possuem carisma suficiente para sustentar a narrativa durante dezenas de horas. As interações são naturais, os diálogos conseguem alternar momentos leves e emocionais, e existe um senso constante de descoberta que motiva o jogador a seguir em frente.

Capturar criaturas continua sendo divertido

Os Animon são o coração da experiência. Espalhados por todo o mapa, eles podem ser encontrados diretamente no ambiente, eliminando a necessidade de encontros aleatórios. Essa abordagem torna a exploração mais dinâmica e faz com que o jogador tenha maior controle sobre quais criaturas deseja enfrentar ou capturar.

O sistema de captura utiliza um minigame baseado em tempo de reação após o lançamento do dispositivo chamado Holoken. A ideia adiciona uma camada extra de interação ao processo, embora em alguns momentos a execução possa parecer um pouco exigente demais. Felizmente, caso a captura falhe, o jogador ainda pode recorrer ao combate tradicional para tentar novamente.

A variedade de criaturas é bastante satisfatória. Com cerca de 140 Animon disponíveis, o jogo oferece opções suficientes para que cada jogador monte equipes que reflitam seu estilo de combate.

Combates que vão além do básico

À primeira vista, as batalhas parecem seguir a fórmula clássica dos RPGs de monstros. Elementos possuem vantagens e desvantagens, golpes exploram fraquezas e a composição da equipe influencia diretamente o desempenho em combate.

No entanto, LumenTale introduz algumas mecânicas que ajudam a diferenciar sua proposta.

Os sistemas de SP e TP criam uma dinâmica interessante durante as batalhas. Enquanto o SP funciona como recurso para habilidades especiais, o TP é acumulado ao longo do combate através de determinadas ações. Quando preenchido, permite o uso de técnicas poderosas sem consumir recursos tradicionais.

Outro diferencial está na liberdade oferecida ao jogador. É possível levar até quatro Animon simultaneamente para o combate, mas isso também exige um gerenciamento mais cuidadoso dos recursos disponíveis. Em determinadas situações, equipes menores podem se mostrar mais eficientes do que grupos completos, incentivando experimentações constantes.

Essa flexibilidade evita que exista apenas uma estratégia dominante e torna os confrontos mais interessantes ao longo da campanha.

Qualidade de vida faz toda a diferença

Se existe um aspecto em que LumenTale realmente se destaca diante de muitos concorrentes, é na forma como respeita o tempo do jogador.

Diversos sistemas foram pensados para reduzir tarefas repetitivas sem comprometer a progressão. A possibilidade de escanear inimigos e registrar permanentemente suas fraquezas elimina a necessidade de decorar informações ou consultar menus constantemente.

O sistema de evolução também merece elogios. Criaturas mais fortes podem derrotar automaticamente inimigos muito mais fracos, acelerando significativamente sessões de treinamento. Além disso, novos Animon capturados conseguem alcançar o nível do restante da equipe de maneira relativamente rápida, evitando aquela sensação frustrante de começar tudo do zero.

São detalhes aparentemente simples, mas que tornam a experiência muito mais agradável ao longo das dezenas de horas de aventura.

Exploração recompensadora e apresentação encantadora

Além dos combates, o jogo oferece sistemas de criação de itens, receitas e melhorias que ajudam a complementar a progressão. Embora o sistema de crafting demore um pouco para revelar todo seu potencial, ele acaba se tornando uma ferramenta útil durante a jornada.

A exploração também se beneficia de um design inteligente. Os objetivos são claros, os mapas são fáceis de navegar e o jogador raramente fica perdido sem saber para onde seguir. Isso ajuda a manter um ritmo consistente durante toda a campanha.

Visualmente, LumenTale impressiona. A combinação de cenários tridimensionais com personagens em estilo sprite cria uma identidade visual bastante agradável. As regiões são variadas, coloridas e possuem personalidade própria, fazendo com que a aventura transmita constantemente a sensação de estar descobrindo novos lugares.

A trilha sonora complementa esse trabalho com excelência. Há faixas que acompanham perfeitamente os momentos de exploração, enquanto outras elevam o impacto emocional das cenas mais importantes da narrativa. É uma daquelas trilhas que permanecem na memória mesmo após encerrar a campanha.

Vale a pena?

LumenTale: Memories of Trey não tenta reinventar os RPGs de captura de monstros e nem precisa fazer isso para funcionar. Seu maior mérito está em compreender os elementos que tornaram o gênero popular e aprimorá-los com diversas melhorias modernas.

O mundo de Talea é rico, os personagens são carismáticos, o combate apresenta boas ideias e os sistemas de qualidade de vida eliminam grande parte das frustrações comuns desse tipo de jogo. Some tudo isso a uma apresentação visual encantadora e a uma excelente trilha sonora, e temos uma aventura capaz de agradar tanto veteranos quanto novos fãs do gênero.

Talvez ele não esteja aqui para desafiar os gigantes do mercado, mas certamente conquista seu espaço como uma experiência extremamente competente, carismática e feita com muito cuidado.

Prós

✔ Mundo rico em história e lore
✔ Sistema de combate estratégico e flexível
✔ Excelente qualidade de vida para o jogador
✔ Visual bonito e cheio de personalidade
✔ Trilha sonora marcante
✔ Boa variedade de criaturas para capturar

Contras

✘ Sistema de captura pode ser exigente em alguns momentos
✘ Início da narrativa demora para engrenar
✘ Nem todos os Animon possuem designs memoráveis

Plataformas: PC (Steam)

A cópia do jogo foi cedida para análise.

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