Adaptações de animes para os videogames sempre carregam uma expectativa delicada: por um lado, são uma chance de expandir o universo da obra; por outro, há o risco de cair em fórmulas repetitivas e pouco inspiradas. Edens Zero, desenvolvido pela Konami, tenta encontrar um equilíbrio entre esses dois caminhos, entregando um RPG de ação com ambições ousadas, mas também com tropeços que podem afastar jogadores mais exigentes.

Uma aventura espacial com coração
A trama segue Shiki, um jovem ingênuo e bondoso que inicia uma jornada interplanetária ao lado de Rebecca e de seu inseparável gato-robô Happy. A missão é encontrar Mother, uma entidade misteriosa, enquanto o protagonista aprende o valor das amizades construídas pelo caminho.
O enredo é ágil, conduzindo o jogador rapidamente por diferentes arcos narrativos, mas sem se tornar confuso. Mesmo quem nunca teve contato com o mangá ou anime consegue acompanhar bem os acontecimentos, embora seja claro que diversos cortes foram feitos para condensar a história.

Shiki e Rebecca formam o núcleo mais forte do elenco, com uma química natural e momentos que equilibram humor e emoção. Outros membros da tripulação acabam parecendo um tanto unidimensionais, mas as cenas de interação dentro da nave Edens Zero ajudam a dar mais profundidade, permitindo diálogos extras que expandem motivações e relações entre os personagens.
Mundo aberto e exploração
Diferente de muitas adaptações que apostam apenas em combates e cenas de história, Edens Zero surpreende com um mundo aberto para explorar. O planeta Blue Garden serve como hub principal e impressiona pela quantidade de missões secundárias, colecionáveis e eventos disponíveis.
A liberdade de movimento é um dos pontos altos: Shiki pode voar livremente pelo mapa desde o início, o que transmite uma sensação de amplitude rara em jogos baseados em anime. Essa exploração é recompensada com novos recursos, missões de facções e melhorias para a própria nave.

O problema é que, embora vasto, o conteúdo sofre de repetição. Muitas tarefas se resumem a derrotar grupos de inimigos, coletar itens ou tirar fotos em pontos específicos. Funciona como passatempo, mas dificilmente mantém o frescor após longas sessões.
Combate: simples, mas divertido
O sistema de combate aposta em ação direta: combos básicos, habilidades especiais ligadas ao poder Ether Gear e a possibilidade de alternar entre personagens em tempo real. Cada herói traz um estilo distinto – Shiki é focado em ataques corpo a corpo, enquanto Witch utiliza magias elementais, por exemplo. Essa diversidade permite combinações interessantes e incentiva o uso estratégico do grupo.
Apesar disso, a profundidade é limitada. Fora os chefes, a variedade de inimigos é pequena, e o sistema de progressão baseado em equipamentos e habilidades não cria grandes desafios. Com itens de cura suficientes, é possível vencer batalhas mesmo contra adversários de nível superior.

Ainda assim, o combate se mantém envolvente justamente por sua simplicidade, lembrando jogos musou em determinados momentos. Não é revolucionário, mas entrega uma experiência agradável para quem busca ação descomplicada.
Técnica e apresentação
É aqui que Edens Zero tropeça com mais força. Os gráficos parecem duas gerações atrasados, com cenários pouco inspirados e quedas de framerate perceptíveis, principalmente durante o voo em áreas abertas. Além disso, há pop-in de texturas e expressões faciais que destoam do estilo vibrante do anime.
Em contrapartida, há detalhes positivos: todo equipamento equipado altera visualmente os personagens, com uma opção de transmog que dá liberdade estética sem sacrificar atributos. É um toque pequeno, mas que mostra atenção ao fã que gosta de personalização.

A vida dentro da nave
A Edens Zero não serve apenas como meio de transporte, mas também como um espaço de gerenciamento. É possível desbloquear instalações, participar de minigames, cozinhar e interagir com os tripulantes. Essas atividades são simples e, em alguns casos, pouco desenvolvidas, mas ajudam a reforçar a sensação de estar liderando uma verdadeira tripulação.
Conclusão
Edens Zero não é um jogo perfeito – longe disso. Falta refinamento técnico, os inimigos poderiam ser mais variados e o design de missões tende à repetição. No entanto, há algo inegavelmente cativante em sua proposta. A história é acessível até para quem nunca tocou na obra original, os protagonistas carregam carisma suficiente para sustentar a narrativa e a exploração espacial dá um charme especial ao conjunto.
Para fãs do anime e mangá, é uma oportunidade sólida de viver essa aventura em primeira mão. Já para curiosos que buscam um RPG de ação acessível e despretensioso, pode ser uma grata surpresa. Só não espere um título polido ou inovador.
Prós
- Shiki e Rebecca são protagonistas carismáticos e sustentam a narrativa.
- Mundo aberto amplo e cheio de conteúdo.
- Combate acessível e divertido, com variedade entre os personagens.
Contras
- Problemas técnicos, como quedas de desempenho e gráficos datados.
- Missões secundárias repetitivas.
- Pouca variedade de inimigos fora dos chefes.
Um RPG de ação com coração e boas ideias, mas que sofre com a falta de polimento. Diverte pela exploração e pelo carisma de seus personagens, sendo uma experiência recomendada para fãs do anime e para quem busca uma aventura leve no gênero.
Disponível para PlayStation, Xbox e PC.
Key cedida para análise.