Durante anos, Fatal Fury ficou adormecido, como uma fera lendária aguardando o momento certo para rugir novamente. E esse momento chegou. City of the Wolves não é apenas uma continuação de Garou: Mark of the Wolves, mas um salto ousado rumo a uma nova era para a SNK e o universo de Southtown. Com visual estilizado, mecânicas renovadas, rostos familiares e adições inesperadas, este título não só honra o legado de uma franquia histórica como redefine o que significa ser um jogo de luta 2D em 2025.

O legado de Southtown
Para entender a força de City of the Wolves, é preciso olhar para trás. A série Fatal Fury, que começou em 1991, ajudou a moldar o gênero de luta. Foi ela que introduziu personagens como Terry Bogard, Geese Howard e o próprio conceito de plano duplo nas lutas. Mais tarde, Garou: Mark of the Wolves (1999) elevou ainda mais a série, com um elenco renovado e mecânicas inovadoras.
Agora, em City of the Wolves, temos a continuidade direta da história de Rock Howard, filho do icônico Geese e pupilo de Terry. O jogo se passa cerca de uma década após os eventos de Garou, em uma Southtown ainda mais sombria, corrompida por megacorporações e novos criminosos. A cidade virou um caldeirão de estilos de luta, disputas de poder e questões familiares mal resolvidas.
A narrativa é contada por meio de cutscenes interativas no modo história e também nas interações entre personagens antes e depois das lutas. Ainda que não seja tão profunda quanto em RPGs, há um claro esforço da SNK em dar contexto emocional ao torneio, especialmente para os lutadores da nova geração.

Estilo visual: o cel shading com alma
A primeira impressão que City of the Wolves causa é poderosa. O cel shading adotado é mais que um capricho estético: é um elo visual entre o passado 2D pixelado e as capacidades modernas da Unreal Engine 5. Cores saturadas, iluminação vibrante e expressões faciais detalhadas fazem de cada combate uma experiência cinematográfica.
Cenários como o “Distrito Zênite”, com letreiros holográficos e chuva constante, ou o “Templo Caído”, com folhas dançantes ao vento, contribuem para a ambientação. As roupas dos personagens se movem com realismo e há reações faciais visíveis durante ataques. É um jogo que tem identidade — e isso se reflete em cada frame.
Mecânicas refinadas: tradição e inovação em harmonia
O combate é onde City of the Wolves realmente brilha. Combinando o legado técnico de Garou com ferramentas modernas, o jogo consegue agradar desde os mais hardcore até os iniciantes.
- Just Defense retorna: bloquear ataques no momento exato garante recuperação de vida e abertura para contra-ataques.
- REV System: uma nova mecânica que permite reverter pressão em situações específicas. Com o uso de uma barra especial, o jogador pode inverter a posição ofensiva, útil tanto em combos quanto em situações defensivas críticas.
- Heat Mode: modo de ativação que aumenta o dano e altera algumas animações, tornando o lutador mais agressivo. Similar ao V-Trigger de Street Fighter V, mas com mais liberdade criativa.
- Auto Combo e Comandos Simples: para novatos, é possível ativar um modo que facilita a execução de especiais e supers. Ideal para quem quer se divertir sem treinar horas no modo prática.
Além disso, o “Ritmo de Luta” — um sistema de feedback sonoro — permite que jogadores sintam a fluidez de seus combos em sincronia com a música, quase como um jogo de ritmo. Isso não é só estiloso, é funcional.

Elenco: um tributo e uma evolução
Com 20 personagens no elenco base, City of the Wolves entrega diversidade sem perder profundidade. O retorno de veteranos traz aquele calor nostálgico, enquanto os novatos acrescentam frescor e ousadia.
Veteranos:
- Terry Bogard: Mais maduro, mas ainda com a alma de herói de rua. Seus especiais são agora mais versáteis, e ele conta com novas provocações que referenciam seus memes (sim, o “Are you okay?” voltou com força).
- Rock Howard: Complexo e elegante. O jogo explora seu conflito interno com dublagens de monólogos antes de lutas decisivas.
- Hotaru Futaba, B. Jenet, Marco Rodriguez e outros clássicos retornam com novas roupas e ajustes em seus estilos.
Novatos:
- Pato Tanqueiro: brasileiro que mistura capoeira com jiu-jitsu, e tem entradas com funk carioca. Um dos personagens mais criativos do jogo.
- Li-Mei Zhao: artista marcial chinesa com ataques baseados em danças do dragão. Seus golpes têm hitboxes inusitadas e ótimo alcance.
- Darnell Pierce: ex-lutador de MMA convertido em professor de boxe. Usa ataques poderosos com esquivas bem animadas.
- CR7: Cristiano Ronaldo em pessoa, como personagem jogável desde o início. Usa uma mistura de chutes aéreos, dashs e provocações temáticas. Um de seus especiais é uma bicicleta com explosão de energia.
- DJ Salvatore: produtor musical que luta com base em BPM e ritmo. Ele pode mudar o tempo das músicas no meio da luta, afetando a velocidade de certos movimentos. Inovador e técnico.
Todos os personagens possuem finais únicos no modo arcade, com cutscenes curtas, e diálogos dinâmicos quando enfrentam rivais específicos.

Modos de jogo: para todos os públicos
Além dos clássicos arcade, versus e treino, o jogo oferece:
- Modo História Ramificado: dividido por personagem, com escolhas que afetam o desfecho. Algumas rotas liberam finais extras e desafios secretos.
- Online com Rollback Netcode: lutas online são suaves, com suporte a crossplay entre PC e consoles.
- Modo Espectador: com chat e replay avançado, permitindo análise de frames, inputs e movimentos.
- Laboratório do Mestre Tung: um modo de desafios técnicos, com combos específicos e situações de treino defensivo, ideal para quem quer elevar o nível competitivo.
Trilha sonora: ritmo urbano com alma
A trilha de City of the Wolves mistura jazz, rock urbano, hip-hop e até funk eletrônico. Cada personagem tem seu tema remixado quando entra em modo Heat, criando uma ambientação sonora envolvente.
Faixas como “Wolf’s Path” (tema de Rock) e “Back Alley Blues” (cenário de Terry) já são hits entre a comunidade. E sim, algumas músicas foram produzidas com colaboração real de DJ Salvatore — personagem e músico de verdade, que também ajuda na trilha original do jogo.

Cena competitiva e futuro
A SNK confirmou que City of the Wolves estará presente no EVO 2025 como torneio principal. Além disso, há um plano de roadmap com:
- 2 Temporadas de DLCs, incluindo personagens clássicos como Kim Kaphwan, Blue Mary e o novo vilão Nocturne.
- Modo Tag Battle previsto para 2026.
- Eventos temáticos e collabs, incluindo rumores de skins de anime.
A comunidade já está organizando campeonatos regionais, e canais de YouTube especializados estão lotados de guias, combos e teorias da lore. O jogo, claramente, encontrou seu público — e tem potencial para ir ainda mais longe.
Curiosidades extras
- Há finais secretos desbloqueáveis ao zerar com CR7 e DJ Salvatore.
- Existe um código escondido que transforma os efeitos visuais em estilo pixel art, como se fosse um Fatal Fury retrô.
- Um modo “Comentário ao vivo” com narradores famosos do Japão e EUA pode ser ativado, como em Street Fighter 6.
Veredito final
Fatal Fury: City of the Wolves é, sem dúvida, o melhor retorno que a SNK poderia oferecer. Mais que um revival, é uma evolução. Com um sistema de luta sólido, elenco carismático, trilha sonora marcante e forte potencial competitivo, o jogo posiciona a franquia entre os grandes novamente.
Não é apenas para fãs antigos — é para qualquer um que ama jogos de luta com estilo, alma e impacto.
Prós
✔ Mecânicas modernas com profundidade clássica
✔ Elenco carismático e visualmente impactante
✔ Trilha sonora excelente e ambientação urbana rica
✔ Presença de CR7 e DJ Salvatore como personagens jogáveis
✔ Ótimo netcode e suporte competitivo
Contras
✘ Modo história poderia ser mais cinematográfico
✘ Alguns personagens queridos ficaram de fora do elenco base
✘ Leve curva de aprendizado para jogadores totalmente novatos
Fatal Fury: City of the Wolves já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam).
Key de análise gentilmente cedida pela SNK Corporation.