Quando se fala em JRPGs táticos, nomes como Final Fantasy Tactics e Tactics Ogre ainda ressoam forte entre os jogadores veteranos. Em 2022, a Square Enix trouxe uma nova proposta dentro desse gênero: Triangle Strategy. Inicialmente exclusivo do Nintendo Switch, o título ganhou uma versão para PC no mesmo ano e, em agosto de 2025, finalmente chegou ao PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Essa chegada amplia seu alcance e coloca o jogo diante de uma nova audiência, pronta para experimentar uma mistura de intriga política, escolhas morais e batalhas de estratégia refinadas.

Uma história de reinos, alianças e dilemas
O enredo de Triangle Strategy se passa em Norzelia, um continente dividido por três nações — Glenbrook, Aesfrost e Hyzante. A paz é frágil, sustentada por tratados que escondem tensões profundas envolvendo recursos essenciais como sal e ferro. No centro da trama está Serenoa Wolffort, jovem herdeiro de uma casa nobre que se vê forçado a tomar decisões difíceis para proteger sua terra e seu povo.
A narrativa não é apenas um pano de fundo para as batalhas. Pelo contrário, ela é o coração do jogo. O jogador é constantemente confrontado com dilemas políticos e éticos, que vão muito além do bem contra o mal. Escolher entre manter uma aliança ou trair em busca de vantagem pode mudar o rumo dos eventos de forma drástica, e é nesse ponto que Triangle Strategy se destaca de outros jogos do gênero.

O sistema das Convicções e as votações
Um dos elementos mais inovadores está no sistema das Convicções. Cada decisão do jogador acumula pontos invisíveis em três valores — utilidade, moralidade e liberdade. Essas convicções moldam não apenas a personalidade de Serenoa, mas também os caminhos narrativos disponíveis.
Em momentos cruciais, os aliados realizam uma votação no Scales of Conviction, onde cada membro do grupo tem sua própria opinião. O jogador pode tentar persuadir os companheiros, apresentando argumentos que se alinham com suas convicções pessoais. É uma mecânica que transforma diálogos em batalhas verbais, dando ao jogador a sensação de estar realmente liderando uma casa nobre com diferentes vozes e interesses.
Esse sistema garante uma enorme rejogabilidade. Um mesmo conflito pode levar a desfechos completamente distintos, incentivando o jogador a revisitar o jogo para explorar outros caminhos.

Combate tático profundo
Fora da política, o combate é o outro pilar central da experiência. Triangle Strategy utiliza batalhas táticas em turnos, onde o terreno e o posicionamento fazem toda a diferença. Atacar inimigos pelas costas garante golpes críticos, enquanto posicionar personagens em terrenos elevados aumenta o alcance e o poder das magias.
O jogo também incentiva o trabalho em equipe. Muitos ataques ganham força quando combinados com aliados próximos, criando sinergias estratégicas que podem virar o rumo de uma luta. Além disso, cada personagem tem habilidades únicas, e não existe um “time perfeito”: tudo depende do estilo de cada jogador e da situação apresentada.
As batalhas são desafiadoras, exigem planejamento e raramente podem ser vencidas apenas na força bruta. Isso pode afastar quem busca algo mais acessível, mas para fãs de estratégia, é justamente aí que mora o charme.

O ritmo narrativo: ponto de divisão
Apesar da profundidade, Triangle Strategy não é um jogo para todos. Seu ritmo é cadenciado: longas seções de diálogos e cutscenes se intercalam com batalhas. Para alguns jogadores, essa alternância pode parecer lenta, especialmente no início da campanha.
Por outro lado, para quem gosta de tramas densas em estilo de romance visual, o jogo se torna envolvente. Comparações com títulos como 13 Sentinels: Aegis Rim fazem sentido, já que ambos investem pesado em narrativas longas, intercaladas por combates estratégicos.
A única ressalva é a dublagem em inglês, que carece de emoção e naturalidade. Muitas falas soam engessadas, o que prejudica a imersão em alguns momentos. Felizmente, a opção de áudio em japonês é muito mais convincente e transmite o peso dramático das cenas com intensidade.

A beleza do HD-2D
Visualmente, Triangle Strategy é um espetáculo. A Square Enix consolidou o estilo HD-2D, já visto em Octopath Traveler, e aqui ele alcança um refinamento impressionante. Os cenários parecem maquetes em miniatura, com iluminação dinâmica e detalhes minuciosos que dão vida ao mundo de Norzelia.
No PS5 e Xbox Series, o jogo roda com mais fluidez e clareza, aproveitando melhor as telas modernas. Ainda que não haja mudanças estruturais em relação ao Switch ou PC, a direção de arte é tão charmosa que faz o título parecer atemporal.
Vale a pena em 2025?
A chegada de Triangle Strategy aos consoles de nova geração não traz novidades significativas além de performance estável e gráficos mais nítidos. Por isso, quem já o jogou em outra plataforma talvez não encontre razões para revisitar.
Mas, para quem nunca experimentou, essa é a versão definitiva de um dos JRPGs mais ousados da Square Enix nos últimos anos. Triangle Strategy não se limita a ser apenas um jogo de estratégia — ele é também uma experiência narrativa, onde cada escolha importa e cada batalha tem peso dramático.
É um título que exige paciência, mas recompensa com uma trama rica, personagens memoráveis e combates de alto nível. Para fãs de estratégia, JRPGs e narrativas políticas, trata-se de uma experiência imperdível.
Prós
- Estilo visual HD-2D belíssimo e cheio de personalidade
- Narrativa densa, com decisões que realmente impactam os rumos da história
- Sistema de Convicções e votações único no gênero
- Combates desafiadores, estratégicos e recompensadores
- Alto valor de rejogabilidade
Contras
- Ritmo narrativo lento, pode afastar jogadores impacientes
- Dublagem em inglês deixa a desejar
- Poucas novidades nas versões de PS5 e Xbox Series para quem já jogou
Triangle Strategy está disponível para Nintendo Switch, PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Código para análise fornecido pela Square Enix.