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Review — Atomic Owl

Em meio a tantos roguelites inspirados em fantasia medieval, demônios grotescos e guerreiros humanos atormentados, Atomic Owl tenta encontrar sua própria identidade apostando em algo incomum: pássaros guerreiros em um universo neon futurista. A proposta é curiosa logo de cara, misturando ação frenética, plataforma 2D e uma estética synthwave carregada de personalidade. O problema é que, apesar do visual estiloso e de algumas boas ideias, o jogo tropeça justamente onde mais precisava acertar: na precisão da jogabilidade.

Um mundo futurista tomado pela corrupção

A aventura acompanha Hidalgo, membro da tribo Bladewing, um grupo de guerreiros aviários que acabam sendo corrompidos pela influência do vilão Omega Wing. Após ver seus companheiros serem transformados em soldados do inimigo, Hidalgo acaba preso dentro de uma árvore mágica durante anos, até ser libertado por uma espada amaldiçoada chamada Mezameta.

E honestamente? Mezameta acaba se tornando a verdadeira estrela da narrativa.

A espada falante acompanha o protagonista durante toda a jornada, interrompendo momentos sérios com comentários sarcásticos, piadas ácidas e provocações inesperadas. Esse humor ajuda bastante a manter a aventura divertida, especialmente porque a história em si segue uma estrutura relativamente simples e previsível.

Ainda assim, o universo criado pelo jogo consegue chamar atenção. A mistura de tecnologia futurista, samurais emplumados e ambientes carregados de neon cria uma identidade visual forte, algo que ajuda Atomic Owl a não parecer apenas “mais um indie pixelado”.

Plataforma rápida… talvez rápida demais

Na prática, Atomic Owl funciona como um jogo de ação e plataforma com elementos roguelite. Hidalgo pode executar combos rápidos, usar diferentes armas e realizar movimentações aéreas com dash, pulos extras e habilidades especiais.

O combate tenta oferecer variedade com armas distintas, incluindo chicotes, espadas pesadas e ataques mais velozes. Existe um esforço claro para criar um sistema dinâmico, incentivando o jogador a alternar estratégias durante os confrontos.

O problema aparece quando o controle entra em cena.

A movimentação possui uma sensação estranha de deslizamento, como se praticamente toda plataforma fosse escorregadia. Em vários momentos, principalmente durante saltos mais precisos, Hidalgo parece não responder exatamente da maneira esperada. Pequenos erros acabam gerando quedas irritantes que passam muito mais a sensação de imprecisão do que de dificuldade justa.

E isso se torna ainda mais frustrante nas seções que exigem rapidez extrema.

Existem momentos em que o jogo aposta em perseguições, armadilhas instantâneas e longas sequências de plataforma sem margem para erro. Quando tudo funciona, há uma boa sensação de velocidade. Mas basta a física inconsistente entrar em ação para transformar essas partes em testes de paciência.

Roguelite… mas nem tanto

Originalmente lançado para PC com foco maior nos elementos roguelite, a versão de consoles trouxe um novo modo mais tradicional, reduzindo parte do grinding e deixando a progressão mais direta.

Essa mudança ajuda bastante quem não gosta de repetir sessões apenas para acumular melhorias permanentes. Agora, parte das evoluções acontece naturalmente durante as fases, tornando a experiência mais acessível.

Por outro lado, isso também evidencia um detalhe curioso: Atomic Owl quase não aproveita as características clássicas de um roguelite.

Os cenários são fixos, os desafios rapidamente se tornam previsíveis e a repetição acaba aparecendo cedo demais. Depois de algumas tentativas, você praticamente já sabe onde cada inimigo estará, qual plataforma irá desmoronar e quais obstáculos surgirão no caminho.

Sem geração procedural ou mudanças significativas entre partidas, o fator surpresa desaparece rápido. Isso enfraquece bastante o senso de replay que normalmente mantém esse gênero interessante por dezenas de horas.

Quando a tela vira caos

Outro ponto que incomoda está na câmera.

Durante algumas batalhas e momentos mais intensos, o jogo afasta bastante a visão para acomodar todos os efeitos visuais na tela. O resultado é uma verdadeira tempestade de lasers, explosões e inimigos enquanto Hidalgo se transforma em um pequeno ponto no meio da confusão.

Visualmente até impressiona em certos momentos, mas na prática isso gera situações frustrantes. Muitas vezes você perde vida simplesmente porque não conseguiu identificar claramente um ataque em meio ao excesso de informação visual.

É um daqueles casos em que o espetáculo acaba prejudicando a leitura da ação.

O audiovisual salva boa parte da experiência

Se existe algo que Atomic Owl realmente faz muito bem, é sua apresentação.

O visual em pixel art é extremamente competente, trazendo cenários vibrantes cheios de luzes neon, ruínas futuristas e criaturas bizarras inspiradas em aves guerreiras. Mesmo sem reinventar o estilo, o jogo consegue criar ambientes bonitos e cheios de personalidade.

A trilha sonora também merece muito destaque.

Com forte influência synthwave, as músicas acompanham perfeitamente o ritmo acelerado da aventura. Os estágios finais e áreas bônus possuem faixas ainda mais intensas, aumentando bastante a sensação de adrenalina durante a ação. Existe uma identidade sonora muito forte aqui, algo que ajuda bastante o jogo a criar atmosfera.

É aquele tipo de trilha que continua na cabeça mesmo depois de desligar o console.

Vale a pena?

Atomic Owl claramente possui boas ideias e personalidade suficiente para chamar atenção. O universo criado é interessante, a estética funciona muito bem e a trilha sonora entrega exatamente o clima futurista que a aventura precisava.

Entretanto, a sensação constante de imprecisão nos controles acaba prejudicando bastante a experiência. O jogo quer ser rápido, frenético e desafiador, mas frequentemente parece injusto por motivos errados.

A tentativa de suavizar os elementos roguelite na versão de consoles ajuda a tornar a aventura mais acessível, mas também deixa evidente que faltou profundidade para sustentar a repetição das fases.

No fim, Atomic Owl é um daqueles jogos que impressionam bastante nas primeiras horas graças ao visual e à ambientação, mas que começam a perder força conforme suas falhas de gameplay aparecem com mais frequência.

Ainda assim, para fãs de ação 2D estilizada e pixel art neon, pode existir diversão aqui — desde que exista paciência para lidar com alguns problemas de polimento.

Prós

  • Excelente direção artística em pixel art;
  • Trilha sonora synthwave extremamente marcante;
  • Mezameta rouba a cena com diálogos divertidos;
  • Novo modo reduz o grinding e deixa a progressão mais acessível;
  • Boa variedade visual nos cenários.

Contras

  • Plataforma sofre com movimentação imprecisa;
  • Sensação constante de superfícies escorregadias;
  • Falta de aleatoriedade enfraquece os elementos roguelite;
  • Câmera distante prejudica a leitura da ação;
  • Ausência de localização em português.

Atomic Owl — PC / PS4 / PS5 / Nintendo Switch / Xbox One / Xbox Series X|S

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