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Review | Invincible VS

Quando um jogo baseado em uma franquia famosa é anunciado, sempre existe aquela dúvida inevitável: será que ele realmente entende o que torna aquele universo especial ou vai apenas usar os personagens como isca? Com Invincible VS, a sensação é de que os desenvolvedores realmente compreenderam a brutalidade, o caos e a velocidade que fizeram a animação conquistar tantos fãs. O resultado é um fighting game extremamente violento, acelerado e cheio de personalidade, mas que também acaba tropeçando justamente naquilo que mantém um jogo de luta vivo por muito tempo: variedade de conteúdo.

Inspirado claramente nos jogos de luta em equipes 3vs3, Invincible VS aposta em confrontos frenéticos, combos gigantescos e uma violência gráfica que não economiza em sangue, ossos quebrados e desmembramentos. E sinceramente? Funciona muito bem.

Brutalidade que respeita a essência da série

A primeira impressão ao entrar em uma luta é que o jogo tenta reproduzir exatamente o impacto dos confrontos vistos na animação. Não apenas visualmente, mas também na sensação de peso dos golpes. Cada soco parece devastador, cada especial transmite força absurda e os personagens possuem animações agressivas que vendem muito bem a ideia de super-humanos capazes de destruir cidades inteiras.

O sistema de combate é relativamente simples de aprender, mas possui profundidade suficiente para quem gosta de dominar mecânicas mais avançadas. Os comandos lembram bastante outros fighters modernos focados em acessibilidade, permitindo que jogadores iniciantes consigam executar combos estilosos sem precisar decorar sequências absurdamente complexas.

Ainda assim, existe bastante espaço para criatividade. O sistema de troca durante combos é facilmente um dos maiores destaques do jogo. Alternar personagens no meio das sequências cria possibilidades enormes para extensões brutais e combinações devastadoras. É o tipo de mecânica que faz o jogador entrar naquele ciclo viciante de “só mais uma luta” para testar novas estratégias.

E claro, não dá para falar de Invincible VS sem mencionar suas finalizações grotescas. Quando o último golpe conecta da maneira certa, o resultado pode ser uma verdadeira carnificina. Corpos explodem, membros são arrancados e litros de sangue tomam conta da tela. Em muitos jogos isso pareceria exagerado apenas por choque visual, mas aqui tudo conversa perfeitamente com o universo de Invincible.

Um elenco pequeno, mas muito carismático

O elenco inicial não é gigantesco, mas consegue entregar boas opções tanto para fãs da série quanto para jogadores competitivos. Cada personagem possui estilo próprio, animações diferenciadas e habilidades que realmente refletem suas personalidades.

Omni-Man transmite uma sensação absurda de poder bruto, enquanto personagens como Atomic Eve oferecem mais controle de espaço e pressão à distância. Já Battle Beast entrega ataques extremamente agressivos e pesados, funcionando quase como uma máquina de destruição ambulante.

Outro ponto positivo é que o jogo evita transformar personagens inéditos em ferramentas apelativas apenas para chamar atenção. Ella Mentor, criada exclusivamente para o game, consegue se encaixar naturalmente no universo sem parecer deslocada ou exageradamente forte.

Além disso, os diálogos antes das lutas ajudam bastante na construção do elenco. Existem várias referências à série animada e aos quadrinhos, além de provocações específicas entre personagens que deixam os confrontos mais divertidos para os fãs.

Visualmente diferente, mas eficiente

Uma das decisões mais curiosas foi abandonar o visual 2D tradicional da animação para apostar em modelos tridimensionais. Inicialmente isso pode soar estranho, principalmente para quem esperava algo mais próximo da série da televisão, mas na prática a escolha funciona surpreendentemente bem.

Os modelos permitem cenas cinematográficas muito mais impactantes durante os especiais e ajudam bastante na brutalidade das finalizações. Em alguns momentos, a câmera muda drasticamente de ângulo para destacar um golpe destruidor ou uma explosão de violência, criando cenas extremamente estilosas.

Os cenários também possuem boa variedade e conseguem representar locais importantes do universo da franquia. Talvez não sejam os ambientes mais interativos do gênero, mas cumprem muito bem o papel visual.

Já na parte sonora, as músicas fazem um trabalho competente durante as lutas, porém o verdadeiro destaque está nas vozes. Muitos atores da animação reprisam seus papéis, algo que aumenta bastante a imersão. Escutar Omni-Man falando com a mesma intensidade da série ajuda demais a conectar o jogo ao material original.

O grande problema: falta conteúdo

Infelizmente, é justamente fora das lutas que Invincible VS começa a mostrar suas limitações. O pacote de modos de jogo parece pequeno demais para um fighting game moderno.

Existe o básico: Arcade, Versus, Treino e História. O problema é que o modo História pode ser concluído muito rapidamente, deixando aquela sensação de que faltou algo mais ambicioso. A narrativa original é interessante para fãs do universo, mas termina antes de realmente desenvolver melhor seus acontecimentos.

O sistema de progressão também acaba ficando repetitivo rápido. Para desbloquear artes, músicas, cosméticos e conteúdos da galeria, o jogador precisa acumular experiência constantemente com cada personagem. Isso obriga partidas repetidas no online ou longas sessões de grinding.

E aí aparece o maior problema: faltam modos alternativos para tornar essa progressão divertida.

Um modo sobrevivência, missões especiais da Agência de Defesa Global, desafios individuais ou até eventos temáticos fariam enorme diferença na longevidade do jogo. Sem isso, a sensação é de que o excelente sistema de combate acaba carregando sozinho boa parte da experiência.

Um ótimo começo que ainda precisa evoluir

Invincible VS acerta em cheio onde mais importava: entregar lutas divertidas, violentas e fiéis ao espírito da franquia. O combate é viciante, os personagens possuem identidade própria e a brutalidade exagerada consegue capturar perfeitamente o clima da animação.

Por outro lado, fica difícil ignorar a falta de conteúdo para manter o jogador engajado por muito tempo. O jogo claramente possui uma base excelente, mas ainda parece depender de futuras atualizações para atingir todo o seu potencial.

Para fãs de Invincible, a experiência vale bastante pela fidelidade ao universo e pela diversão das batalhas em equipe. Já jogadores que buscam um fighting game recheado de modos e opções talvez sintam falta de mais conteúdo logo no lançamento.

Prós

  • Combate rápido, acessível e extremamente divertido;
  • Sistema de combos em equipe funciona muito bem;
  • Violência exagerada combina perfeitamente com a franquia;
  • Elenco possui boa variedade de estilos;
  • Ótima fidelidade aos personagens da série;
  • Visuais 3D funcionam melhor do que parece inicialmente.

Contras

  • Quantidade de modos de jogo é bastante limitada;
  • Progressão de desbloqueios pode se tornar repetitiva;
  • Modo História é curto;
  • Falta conteúdo adicional para aumentar a longevidade.

Plataformas disponíveis: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.

Review realizado com cópia cedida para análise.

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