Misturar gêneros é algo comum na indústria atual, mas fazer isso de forma funcional ainda é um desafio. Roguematch: The Extraplanar Invasion parte de uma ideia que, à primeira vista, parece improvável: unir RPG tático por turnos, roguelike e match-3 em um único sistema de combate. O resultado não é apenas curioso — é um jogo que exige atenção, planejamento e, acima de tudo, disposição para pensar cada movimento com cuidado.
Aqui, combinar peças não é um passatempo paralelo: é o coração da experiência.
Um combate que funciona como quebra-cabeça
A estrutura básica de Roguematch é simples de entender, mas difícil de dominar. Cada sala funciona como um pequeno tabuleiro tático, onde o jogador se movimenta por turnos enquanto enfrenta inimigos posicionados estrategicamente. O diferencial está no grid de mana, que ocupa o cenário e serve como combustível para magias, ataques especiais e interações com o ambiente.

Em vez de apenas atacar, cada turno convida o jogador a se perguntar:
vale mais a pena se mover, atacar corpo a corpo ou alinhar peças para preparar uma jogada mais forte no turno seguinte?
O sistema de match-3 não é acelerado nem automático. Ele exige leitura do tabuleiro, antecipação de consequências e entendimento das cores, efeitos e reações em cadeia. Um erro de posicionamento ou uma combinação mal pensada pode transformar uma sala aparentemente simples em um problema sério.
Essa abordagem faz com que o combate funcione menos como ação e mais como resolução de problemas, o que vai agradar quem gosta de jogos mais cerebrais.
Roguelike de verdade, sem atalhos
A progressão segue a cartilha clássica do gênero roguelike. Os mapas são gerados proceduralmente, os inimigos variam de acordo com a rota escolhida e a morte significa recomeçar a corrida sem os itens adquiridos. Isso reforça o caráter experimental do jogo: errar faz parte do aprendizado.
Há múltiplos personagens jogáveis, cada um com habilidades e estilos próprios, o que muda completamente a forma de encarar o tabuleiro. Alguns favorecem ataques diretos, outros dependem mais de magia ou manipulação de mana, incentivando estratégias diferentes a cada tentativa.
A quantidade de itens, feitiços e efeitos passivos garante uma boa variedade, mas nem todos os combos são igualmente interessantes. Em algumas runs, o jogador pode sentir que as recompensas não conversam bem entre si, o que quebra um pouco o ritmo da progressão.

Ritmo é virtude — e também problema
Se por um lado Roguematch recompensa quem joga com calma, por outro ele pode cansar jogadores que esperam partidas mais dinâmicas. O ritmo é deliberadamente lento, e cada sala exige atenção total. Em sessões longas, isso pode gerar uma sensação de desgaste mental, principalmente quando o jogo coloca muitos sistemas em ação ao mesmo tempo.
Não é um título feito para jogar no piloto automático. Ele pede foco, leitura constante e paciência. Para alguns, isso é exatamente o charme; para outros, pode soar excessivamente trabalhoso.

Visual funcional, sem exageros
Visualmente, Roguematch aposta em uma direção de arte simples e clara. Os cenários, inimigos e efeitos não tentam impressionar tecnicamente, mas cumprem bem seu papel: tudo é legível, e o jogador entende rapidamente o que está acontecendo no tabuleiro.
Os elementos ambientais — como terrenos elementais e armadilhas — não estão ali apenas para enfeitar. Eles interferem diretamente nas batalhas, podendo ser usados tanto contra os inimigos quanto contra o próprio jogador se mal administrados.
A trilha sonora e os efeitos sonoros são discretos, funcionando mais como apoio do que como destaque.

Para quem esse jogo funciona melhor
Roguematch: The Extraplanar Invasion é um jogo que sabe exatamente para quem foi feito. Ele não tenta agradar todo mundo, e isso é um ponto positivo. Jogadores que gostam de estratégia profunda, planejamento e sistemas interligados vão encontrar aqui uma experiência consistente e desafiadora.
Por outro lado, quem busca ação rápida, impacto visual forte ou progressão mais imediata provavelmente vai sentir que o jogo exige mais paciência do que gostaria de oferecer.
Pontos positivos
- Combate tático realmente integrado ao sistema de match-3
- Boa variedade de personagens e estilos de jogo
- Estrutura roguelike que incentiva experimentação
- Visual limpo e funcional, facilitando a leitura do tabuleiro
Pontos negativos
- Ritmo lento pode cansar em sessões prolongadas
- Nem todos os combos de itens são igualmente interessantes
- Feedback de impacto poderia ser mais satisfatório
- Complexidade pode afastar jogadores menos pacientes
Conclusão
Roguematch: The Extraplanar Invasion é um jogo que transforma cada batalha em um pequeno quebra-cabeça estratégico. Ele não se apoia em reflexos rápidos ou ação constante, mas sim em planejamento, leitura de cenário e decisões calculadas. Quando funciona, entrega uma experiência inteligente e recompensadora; quando não, pode parecer excessivamente denso.
É um título que brilha nas mãos de quem gosta de pensar antes de agir — e que não tem pressa para vencer.
Plataformas: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch
Lançamento: julho de 2025
Key cedida para análise