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Review – Mandragora: Whispers of the Witch Tree

Há algo de fascinante em um mundo de fantasia que parece estar constantemente à beira do colapso. Não aquele tipo épico com heróis reluzentes e reinos vibrantes, mas sim o tipo melancólico, corrompido e silenciosamente desesperador. Mandragora: Whispers of the Witch Tree, desenvolvido pelo estúdio húngaro Primal Game Studio, mergulha de cabeça nesse universo sombrio com uma proposta ousada: misturar ação em 2.5D, elementos de RPG, combate soulslike e um toque narrativo inquietante, tudo em meio a um mundo em ruínas dominado pela Entropia.

Um mundo decadente que respira melancolia

A ambientação de Mandragora é um dos seus trunfos. Faelduum, o mundo onde se passa a história, parece à primeira vista um cenário de fantasia genérico, mas rapidamente revela sua profundidade. Criaturas deformadas, ruínas esquecidas, cultos obscuros e personagens quebrados se entrelaçam para contar uma narrativa sobre controle, rebelião e colapso espiritual.

Você assume o papel de um Inquisidor, outrora devoto ao Rei Sacerdote, que se vê forçado a questionar tudo após um evento traumático. A trama principal é interessante, mas está longe de ser linear ou centralizadora. Ela funciona mais como pano de fundo para a jornada, permitindo que o jogador monte sua própria visão do mundo a partir de conversas opcionais, documentos espalhados e interações pontuais com NPCs.

Exploração que recompensa atenção

O design de mundo em Mandragora é ambicioso e bem executado. Apesar de ser um jogo em 2.5D, a sensação de profundidade e escala é constante. Câmaras ocultas, rotas alternativas, áreas bloqueadas que só podem ser acessadas com habilidades específicas e atalhos bem posicionados criam um ritmo dinâmico de exploração.

O jogo possui uma leve estrutura metroidvania, com habilidades como gancho de escalada e ataques que quebram o solo sendo essenciais para desbloquear novas áreas. Mapear cada canto torna-se quase um vício, e a possibilidade de marcar pontos no mapa é um recurso bem-vindo para os mais atentos. Há também a opção de viagem rápida entre os pontos de controle, o que ajuda a manter o ritmo sem comprometer a tensão da jornada.

Um combate exigente, mas justo

O combate é onde Mandragora realmente brilha. Cada classe oferece uma experiência distinta, desde o Vanguard robusto até o ágil Nightshade, passando por conjuradores como o Flameweaver e o Spellbinder. A escolha da classe define suas estratégias iniciais, mas o jogo permite certa flexibilidade ao longo da campanha. As árvores de habilidades, ainda que um pouco extensas demais, possibilitam personalizações que impactam de forma tangível o estilo de jogo.

A gestão de estamina, o uso inteligente de habilidades ativas e a leitura do padrão de ataque dos inimigos são fundamentais para sobreviver. O sistema lembra títulos soulslike, com frascos de cura, penalidade por morte e checkpoints limitados, mas sem a crueldade extrema dos jogos da FromSoftware. É desafiador, mas acessível, especialmente com as opções de ajuste de dificuldade disponíveis.

Uma experiência sensorial

Visualmente, o jogo é uma obra de arte sombria. A direção de arte aposta em contrastes fortes, tons ocres e ambientes saturados de simbolismo. As animações são fluidas e a trilha sonora, discreta mas eficaz, reforça a atmosfera de tensão constante. A dublagem é competente e adiciona personalidade aos poucos personagens com quem você interage de forma mais significativa.

O centro da operação do jogador é a Árvore das Bruxas, um hub que evolui conforme você avança na história e resgata aliados. Nele é possível aprimorar equipamentos, aceitar contratos e expandir o mapa com fragmentos encontrados pelo mundo, criando um sentimento de progresso constante e reconfortante.

Prós:

  • Ambientação rica e imersiva, com uma atmosfera densa e misteriosa
  • Combate tático e desafiador, com boas opções de personalização
  • Mundo interconectado que recompensa exploração cuidadosa
  • Estilo artístico marcante e uso inteligente de recursos de metroidvania

Contras:

  • Narrativa principal pouco envolvente se o jogador não buscar ativamente os detalhes
  • Árvore de habilidades um pouco extensa, com melhorias nem sempre perceptíveis
  • Algumas áreas podem parecer vazias se exploradas muito cedo

Veredito

Mandragora: Whispers of the Witch Tree é uma joia para quem aprecia mundos sombrios, sistemas de combate elaborados e exploração meticulosa. Não é um jogo que segura sua mão, nem força a história goela abaixo. Ele exige que você esteja presente, atento, disposto a montar seu próprio quebra-cabeça enquanto resiste às forças da Entropia.

Se você curte Salt and Sanctuary, Blasphemous ou até mesmo Hollow Knight, aqui há uma experiência que merece sua atenção. Com múltiplas classes, sistema de progressão sólido e ambientação memorável, Mandragora se firma como um dos grandes títulos indie do ano.


Disponível para PlayStation, Xbox e PC.
Chave do jogo gentilmente cedida para análise.

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