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Review — Skautfold: Moonless Knight

Misturar gêneros diferentes em um único jogo pode resultar em algo memorável. Quando funciona, surgem experiências capazes de surpreender até jogadores veteranos. Skautfold: Moonless Knight tenta exatamente isso ao combinar elementos de metroidvania, combate inspirado em soulslike, progressão baseada em uso e uma ambientação carregada de horror cósmico. A proposta é ambiciosa e, no papel, extremamente interessante. O problema é que boas ideias sozinhas não sustentam um jogo inteiro.

O título aposta em um universo alternativo com inspirações orientais, criaturas grotescas e um clima sombrio constante. Existe personalidade em vários aspectos da direção criativa, mas a execução tropeça repetidamente em decisões de design confusas, combate inconsistente e uma estrutura que raramente consegue transformar suas ideias em algo realmente envolvente.

História e ambientação

A trama acompanha Gray, um cavaleiro enviado em uma missão diplomática que rapidamente se transforma em uma jornada marcada por cultos, entidades misteriosas e eventos sobrenaturais. O cenário mistura elementos de Japão feudal com horror lovecraftiano, criando uma identidade visual curiosa e relativamente única dentro do gênero.

O começo da narrativa consegue despertar interesse. Existe um mistério envolvendo forças ocultas, figuras religiosas e eventos ligados à lua, enquanto o mundo parece caminhar lentamente rumo ao caos. O problema é que o roteiro nunca desenvolve esse potencial de maneira satisfatória.

Os personagens possuem pouca profundidade, os diálogos raramente criam impacto emocional e boa parte da narrativa depende de textos expositivos. Em vários momentos, a escrita parece desconexa, com frases estranhas e mudanças de tom que prejudicam a imersão. Isso pesa ainda mais porque o jogo claramente quer que o jogador leve sua lore a sério.

Mesmo assim, a atmosfera funciona em alguns trechos. Explorar corredores silenciosos enquanto criaturas deformadas surgem na escuridão consegue transmitir uma sensação constante de desconforto. Quando o jogo aposta mais no clima e menos nos diálogos, ele entrega seus melhores momentos.

Jogabilidade e combate

O sistema de combate é provavelmente o elemento mais interessante de Moonless Knight. Em vez de apenas administrar vida e stamina, o jogo trabalha com um sistema de “Guard”, que funciona como uma mistura de resistência e defesa. Tanto o protagonista quanto os inimigos possuem essa barra, criando confrontos focados em quebrar a postura adversária antes de causar dano real.

Na teoria, isso adiciona estratégia às batalhas. Esquivas perfeitas, bloqueios precisos e parries ajudam a recuperar vantagem durante os confrontos. O problema é que os controles não acompanham a proposta.

Os ataques possuem animações lentas, a movimentação parece travada e existe uma certa falta de fluidez em praticamente todas as ações. Em confrontos contra um único inimigo, o sistema ainda consegue funcionar de forma razoável. Porém, quando múltiplos adversários entram em cena, o combate se torna confuso e frustrante.

As armas disponíveis também decepcionam um pouco. Apesar de existir variedade visual entre espadas, lanças e lâminas duplas, a sensação prática entre elas não muda tanto quanto deveria. Algumas acabam parecendo claramente superiores, reduzindo a vontade de experimentar estilos diferentes.

Outro ponto questionável está no sistema de progressão. Em vez de níveis tradicionais, os atributos evoluem conforme o uso. Quanto mais o jogador utiliza determinado tipo de arma ou ação, mais eficiente ele se torna naquela área. A ideia lembra RPGs clássicos experimentais, mas aqui ela gera desequilíbrios estranhos no ritmo da aventura.

Isso cria situações onde o jogador pode chegar despreparado em chefes simplesmente porque evitou dano demais ou não utilizou certas mecânicas específicas. Em vez de recompensar habilidade, o sistema às vezes parece incentivar grind desnecessário.

Exploração e estrutura metroidvania

Como metroidvania, Moonless Knight entrega uma experiência bastante irregular. O mapa possui interconexões e habilidades desbloqueáveis que liberam novos caminhos, seguindo a fórmula clássica do gênero. O problema é que explorar raramente é divertido.

O level design frequentemente gera confusão, principalmente pela falta de clareza visual em determinados ambientes. Alguns cenários parecem excessivamente parecidos, dificultando a memorização dos caminhos. Além disso, o backtracking acaba se tornando cansativo porque a movimentação do personagem nunca é realmente prazerosa.

As habilidades adquiridas ao longo da campanha — como ferramentas de travessia e poderes especiais — cumprem seu papel funcional, mas dificilmente trazem aquela sensação empolgante de descoberta típica dos grandes metroidvanias.

Outro problema está na recompensa da exploração. Segredos escondidos, equipamentos diferenciados e descobertas memoráveis quase não existem. Muitos baús oferecem recompensas previsíveis, diminuindo bastante o incentivo para investigar cada canto do mapa.

Esse é um dos maiores erros do jogo: ele entende a estrutura do gênero, mas não compreende totalmente o que torna a exploração divertida e viciante.

Visual e trilha sonora

Visualmente, Moonless Knight possui qualidades e defeitos bem evidentes. Os sprites dos personagens apresentam um bom nível de detalhe, especialmente nas criaturas inspiradas em horror cósmico. Alguns chefes conseguem criar imagens bastante marcantes.

Por outro lado, os cenários variam muito em qualidade. Certos ambientes possuem um aspecto excessivamente simples e confuso, enquanto outros entregam composições interessantes e sombrias. A direção artística funciona melhor em áreas subterrâneas e locais mais perturbadores visualmente.

As animações também poderiam ser mais refinadas. Muitos movimentos parecem rígidos, reforçando a sensação travada da jogabilidade.

Já a trilha sonora cumpre corretamente seu papel atmosférico. As músicas ajudam a construir o clima melancólico e misterioso da aventura, mesmo sem entregar composições realmente memoráveis.

Vale a pena?

Skautfold: Moonless Knight claramente possui ambição. Existe criatividade na tentativa de misturar horror lovecraftiano, combate estratégico e exploração metroidvania em uma única experiência. O jogo até consegue apresentar ideias interessantes em determinados momentos, principalmente no sistema de Guard e em sua atmosfera opressiva.

Entretanto, quase tudo parece inacabado ou mal refinado. O combate carece de fluidez, a exploração se torna repetitiva rapidamente e a narrativa não consegue sustentar o peso de suas próprias ideias. Em vez de criar algo verdadeiramente único, o jogo acaba transmitindo a sensação de uma experiência que pegou referências excelentes, mas não encontrou uma identidade forte o suficiente para unir todas elas.

Para fãs extremamente dedicados de metroidvanias experimentais ou jogos independentes mais excêntricos, talvez ainda exista alguma curiosidade aqui. Porém, para a maioria dos jogadores, Moonless Knight dificilmente consegue justificar o tempo investido.


Plataformas disponíveis: PC, Nintendo Switch, PlayStation e Xbox.

Key cedida para análise pela publisher.

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