Jogos de terror indie surgem quase diariamente, muitos deles apostando em histórias “baseadas em eventos reais” para criar uma camada extra de mistério. Apartment No 129, desenvolvido pela Dead Witness, segue exatamente esse caminho ao apresentar uma narrativa que supostamente teria ligação com um caso paranormal ocorrido em 2009. O problema é que, após qualquer pesquisa minimamente cuidadosa, fica claro que essa afirmação não passa de um mito urbano — o que por si só não seria um grande problema, se o jogo entregasse uma experiência sólida. Infelizmente, esse não é o caso, ao menos na versão de Xbox analisada aqui.

No jogo, controlamos Emir, um jovem interessado em fenômenos inexplicáveis que decide explorar sozinho um apartamento abandonado, conhecido como Apartamento Nº 129, em busca de respostas sobre um evento que teria chocado o país. A premissa é simples, funcional e até comum dentro do gênero, lembrando outros walking simulators de terror psicológico. O problema é que a execução falha em praticamente todos os níveis técnicos.
Uma ambientação sabotada pela iluminação
O primeiro grande choque vem da iluminação. Apartment No 129 é absurdamente escuro no Xbox, a ponto de tornar boa parte da experiência praticamente invisível. Não se trata de uma escolha artística bem executada, mas de um problema técnico evidente. Em muitos momentos, o jogador enxerga apenas um breu absoluto, sendo obrigado a usar a lanterna durante quase todo o tempo de jogo.
Lanternas com bateria limitada são um recurso comum em jogos de terror, criando tensão e incentivando a exploração cuidadosa. Aqui, porém, esse sistema simplesmente não funciona, porque o jogo exige o uso constante da lanterna, enquanto ao mesmo tempo impede o jogador de coletar os recursos necessários para mantê-la ativa.

Sistema de exploração quebrado
A exploração, que deveria ser um dos pilares do jogo, está completamente comprometida. Armários, gavetas e outros objetos interativos até exibem o comando de interação, mas nada acontece de fato. O som de abertura é reproduzido, porém não há animação, nem acesso a itens. Isso significa que baterias, recursos e até pistas essenciais simplesmente não podem ser coletados.
Esse não é um problema conceitual, mas claramente um bug grave da versão de Xbox. Ao comparar com a versão de PC — facilmente encontrada em vídeos de gameplay — fica evidente que o sistema de busca funciona corretamente em outras plataformas. No console, ele simplesmente não existe de forma funcional.

Pistas invisíveis e progressão confusa
Outro erro sério está na ausência de mensagens ambientais. O jogo deveria apresentar inscrições, frases e pistas nas paredes, ajudando o jogador a entender o que fazer e para onde ir. No Xbox, essas mensagens não aparecem visualmente. O mais absurdo é que as legendas ainda surgem na tela, indicando que o conteúdo existe, mas o jogador está literalmente olhando para paredes vazias.
Na prática, isso transforma a progressão em um exercício de tentativa e erro, sem qualquer orientação clara. Muitas vezes, o jogador só descobre que deveria observar determinado local por puro acaso, o que quebra completamente o ritmo e a imersão.

Combate sem impacto e sem feedback
Mesmo com todos esses problemas, ainda é possível avançar por algum tempo até encontrar armas como um machado e, posteriormente, uma arma de fogo. É nesse momento que o combate mostra outro grande ponto fraco do jogo.
Os confrontos carecem totalmente de feedback. Golpear inimigos com o machado não gera reação visível, não há impacto, animações convincentes ou sensação de peso. Muitas vezes, parece que o jogador está atacando o vazio. Os inimigos só caem após vários golpes, enquanto causam dano excessivo, criando uma sensação de injustiça logo nos primeiros encontros.
O uso da arma de fogo é ainda pior. Os disparos não transmitem qualquer sensação de potência, lembrando mais uma pistola de brinquedo do que uma arma real, o que compromete qualquer tentativa de tensão ou sobrevivência.
Um jogo incompleto no console
Após mais de duas horas de tentativas, reinícios e frustração, fica claro que Apartment No 129 simplesmente não está jogável no Xbox. Elementos fundamentais da experiência — iluminação adequada, exploração funcional, pistas visuais, cutscenes e até mecânicas básicas — estão ausentes ou quebrados.
Comparações com a versão de PC deixam isso ainda mais evidente: lá, o jogo apresenta iluminação melhor, mensagens nas paredes, sistema de busca funcional e até cenas cinematográficas que simplesmente não existem no console. Tudo indica que a versão de Xbox está extremamente desatualizada ou mal adaptada, tornando impossível avaliá-la como um produto completo.
Considerações finais
Apartment No 129 até pode ter uma boa ideia por trás de sua narrativa e atmosfera, mas nada disso importa quando a versão disponível para consoles está em estado crítico. No Xbox, o jogo é tecnicamente quebrado, frustrante e, em muitos momentos, injogável. Não se trata de dificuldade elevada ou escolhas de design questionáveis, mas de falhas graves que impedem a experiência de acontecer.
Se houver interesse no jogo, a recomendação é clara: evite a versão de console e, no máximo, considere a versão de PC, que aparenta estar em um estado bem mais funcional. Até que receba atualizações significativas, Apartment No 129 no Xbox é um título impossível de recomendar.