Revenge of the Savage Planet retorna ao universo bizarro e colorido apresentado no título original, mas agora com a missão clara de expandir ideias, corrigir erros e entregar uma experiência mais fluida, ousada e divertida. O que antes era uma sátira em primeira pessoa sobre exploração espacial, agora se reinventa em terceira pessoa, trazendo novos planetas, armas malucas, e uma dose ainda maior de deboche contra megacorporações.

Uma nova perspectiva
A primeira mudança que salta aos olhos é a câmera. Deixamos de lado a visão em primeira pessoa para adotar a terceira pessoa, o que afeta diretamente a forma como o jogo se comunica. Agora, além de mais expressivo, o personagem principal interage com o mundo com muito mais estilo e personalidade, em movimentos exagerados e animações cartunescas que casam perfeitamente com o humor do jogo.
A mudança também beneficia a navegação. Saltos, combates e até mesmo o uso de ferramentas se tornaram mais naturais e menos frustrantes. A câmera fixa nas costas do personagem também ajuda a valorizar o level design, que está mais vertical, mais denso e com mais elementos para interação.

Planetas bizarros e fauna ainda mais imprevisível
O foco da jogabilidade continua sendo a exploração e a progressão baseada em upgrades. Cada planeta funciona como um mini “playground alienígena”, com criaturas estranhas, vegetações vivas e ecossistemas absurdos — todos com aquele charme nonsense que já era marca registrada da franquia.
Ao longo da jornada, desbloqueamos novas habilidades e ferramentas que permitem acessar áreas anteriormente bloqueadas. A fórmula de metroidvania permanece firme, mas agora com maior variedade de ambientes e caminhos alternativos. A sensação de progresso é mais satisfatória e menos repetitiva do que no jogo anterior.
Os inimigos, por sua vez, foram melhor distribuídos e apresentam padrões mais variados. Há, inclusive, algumas batalhas contra chefes bem criativas que testam tanto sua agilidade quanto o uso inteligente dos equipamentos que você carrega.

Armamentos excêntricos e slime como ferramenta
Se há algo em que Revenge of the Savage Planet se diverte, é no design das armas e ferramentas. O jogo adora transformar o ridículo em mecânica funcional. Temos chicotes energizados, gosmas que grudam, escorregam, conduzem energia ou alteram a gravidade de superfícies. Tudo isso é usado tanto para resolver puzzles ambientais quanto para improvisar táticas de combate.
A criatividade aqui é constante: cada novo gadget vem acompanhado de uma cutscene absurda ou tutorial hilário, que não só diverte como surpreende. A sátira e o nonsense são parte integrante do design de jogabilidade, e não apenas enfeites narrativos.

Uma crítica ácida ao mundo corporativo
A narrativa de Revenge of the Savage Planet continua sendo uma grande piada sobre o universo corporativo. Você é um funcionário descartável da Alta Interglobal, traído pela própria empresa e deixado para morrer em um planeta inóspito. O jogo inteiro gira em torno de sua vingança pessoal — mas tudo isso é narrado com sarcasmo, inteligência artificial debochada e comerciais falsos que parodiam o capitalismo até o osso.
Os textos, áudios e vídeos espalhados pelo universo são repletos de piadas visuais e verbais. Algumas piadas se repetem um pouco ao longo da campanha, mas a maioria acerta o tom e oferece um humor diferente do que vemos nos jogos atuais.
Coop divertido, mas limitado
O modo cooperativo está de volta e funciona bem, seja online ou em tela dividida local. A experiência de jogar com um amigo torna a exploração mais dinâmica, e o sistema de progressão compartilhada facilita a vida de quem só quer se divertir sem se preocupar com grind.
No entanto, o modo coop não oferece conteúdos dedicados ou desafios exclusivos, o que limita um pouco sua profundidade. Ainda assim, é uma adição valiosa e que amplia a longevidade do jogo.
Conclusão
Revenge of the Savage Planet é uma sequência que aprende com os erros do passado e aposta alto em mudanças que funcionam. A troca de perspectiva dá novo fôlego à jogabilidade, o mundo é mais interessante de explorar, o humor continua afiado e o combate está mais ágil e criativo. Apesar de alguns elementos repetitivos, principalmente nas piadas, o jogo acerta em quase tudo o que propõe — e prova que é possível fazer uma aventura espacial absurda, divertida e com personalidade de sobra.
Prós
- Estilo visual colorido e marcante
- Troca para terceira pessoa melhora tudo
- Ferramentas e armas criativas
- Humor inteligente e bem escrito
- Exploração divertida com toques de metroidvania
Contras
- Algumas piadas se repetem com frequência
- Modo cooperativo sem muito conteúdo exclusivo
Disponível para: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5 e PC.
Desenvolvido por: Raccoon Logic
Publicado por: Raccoon Logic
Versão analisada: Xbox Series
Key fornecida para análise