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Review – Wander Stars

Alguns jogos não apenas contam uma história, mas também despertam lembranças de uma época específica. Wander Stars, desenvolvido pela Paper Castle Games e publicado pela Fellow Traveller, é um RPG que se inspira diretamente no estilo dos animes clássicos, trazendo uma mistura de humor, exagero e emoção que parece saída direto das manhãs e tardes de televisão.

Logo de início, o jogo já entrega seu charme: a aventura começa com uma abertura em formato de “episódio”, com título longo e chamativo, como se fosse parte de um anime perdido dos anos 90. A protagonista é Ringo, uma jovem criada pela avó e determinada a participar de um grande torneio de artes marciais. Sua jornada muda de rumo quando conhece Wolfe, um lobo atrapalhado que acaba se tornando parceiro de viagem – um encontro improvável que dá início a uma aventura que vai muito além de seu mundo natal.


Estilo anime com identidade própria

Visualmente, Wander Stars acerta em cheio ao recriar aquela estética nostálgica, mas sem parecer apenas uma cópia de Dragon Ball ou outros sucessos da época. Os personagens possuem traços exagerados e expressões caricatas que dão vida às cenas, reforçando o clima de “desenho animado levado a sério”. Ringo, por exemplo, é uma protagonista energética e cheia de personalidade, lembrando heróis shonen mas mantendo características únicas.

Além dela, o jogo apresenta uma galeria de figuras excêntricas, incluindo animais antropomórficos como capivaras surfistas e caranguejos boxeadores, sempre com um toque de humor. Tudo isso é reforçado por filtros visuais que simulam a sensação de estar assistindo a um anime antigo em uma fita VHS levemente desgastada.


Trilha sonora e atmosfera

A trilha sonora, composta por Marcos Villarejo “Sayth Vashra”, é um dos pontos altos da experiência. Ela alterna entre músicas orquestradas e elementos mais jazzísticos, lembrando obras como Cowboy Bebop. Acompanhando o ritmo acelerado das batalhas e a leveza das cutscenes, a música mantém o jogador imerso e dá personalidade às fases.

No entanto, há problemas técnicos que quebram um pouco essa imersão. Em alguns momentos – especialmente durante flashbacks ou cutscenes de transição – o áudio simplesmente desaparece, deixando diálogos sem efeito sonoro algum. Embora não seja algo que comprometa a experiência de forma definitiva, é um detalhe incômodo que precisa de correção.


Combate: palavras como armas

O coração de Wander Stars está em seu sistema de batalhas. Diferente dos RPGs tradicionais, aqui os ataques são construídos a partir de palavras. O jogador coleta termos divididos em categorias e deve combiná-los para formar golpes poderosos, como se estivesse gritando o nome de um ataque especial em um anime.

Essa mecânica traz profundidade e exige planejamento: algumas palavras causam dano, outras aplicam efeitos de status, reduzem tempo de recarga ou até preparam o terreno para combos futuros. Embora no começo o sistema possa parecer confuso, com prática ele se torna viciante e recompensador.

Vale destacar que, mesmo com companheiros de jornada, o combate é centrado em Ringo, o que torna essencial dominar esse vocabulário de ataques. Essa escolha mantém a experiência focada, mas também aumenta a curva de aprendizado.


Estrutura das fases

As fases são organizadas em tabuleiros, permitindo explorar diferentes caminhos, revisitar áreas e coletar itens. Cada espaço pode levar a combates, eventos de história ou diálogos extras. Há também um sistema de classificação ao final de cada fase, incentivando a rejogabilidade para alcançar as melhores notas.

Além disso, existe uma mecânica curiosa: terminar lutas de forma “pacífica”, sem derrotar completamente os inimigos, rende recompensas extras. Essa ideia transforma o combate em um quebra-cabeça dentro do próprio RPG, tornando cada encontro mais interessante.

Porém, nem tudo funciona perfeitamente. As fases são longas, podendo levar até uma hora na primeira jogada, e mesmo ao rejogar ainda exigem bastante tempo. O problema é que muitas cutscenes não podem ser puladas, apenas aceleradas, o que deixa a repetição cansativa. Para quem busca completar todos os objetivos e modos extras, isso pode acabar pesando.


Rejogabilidade e desafio

Depois de concluir um estágio, o jogador desbloqueia modos de desafio com modificadores de dificuldade, como inimigos invisíveis ou fraquezas adicionais. Esse recurso adiciona variedade e recompensa quem gosta de testar seus limites, além de oferecer mais pontos para evoluir habilidades.

O lado negativo é que o sistema de progressão pode ser explorado: é possível acumular pontos demais em repetições, facilitando capítulos futuros e reduzindo parte da dificuldade planejada.


Veredito

Wander Stars é um RPG criativo que mistura nostalgia e inovação em doses equilibradas. Seu estilo artístico cativa fãs de anime, o sistema de combate baseado em palavras é original e desafiador, e a trilha sonora dá um tom memorável à aventura.

Por outro lado, os problemas técnicos de áudio, a duração excessiva das fases e a repetição em replays tiram parte do brilho. Ainda assim, para quem procura um RPG diferente, cheio de personalidade e com um charme único, este é um título que vale a pena experimentar.

Prós

  • Visual e narrativa com forte inspiração em animes
  • Sistema de combate original e estratégico
  • Trilha sonora marcante
  • Modos extras e bom fator de rejogabilidade

Contras
– Problemas de áudio em algumas cutscenes
– Fases longas e repetitivas em replays
– Progressão pode perder o equilíbrio com farming excessivo

Disponível para PlayStation 5, Xbox Series e PC.
Lançado em 19 de setembro de 2025.

Uma key foi fornecida pela Fellow Traveller para a realização deste review.

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