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Review – Echoes of the End

Alguns jogos independentes surgem carregados de ambição, mirando o nível de qualidade das grandes produções, mas com a liberdade criativa típica de estúdios menores. Echoes of the End, desenvolvido pelo estúdio islandês Myrkur Games e publicado pela Deep Silver, é um desses casos. Uma aventura que combina fantasia sombria, puzzles inteligentes e narrativa cinematográfica, resultando em uma experiência bela e envolvente.


Uma protagonista marcada pelo poder e pelo sacrifício

A jornada acompanha Ryn, uma “vestige” — indivíduos capazes de manipular poderes mágicos instáveis. Desde o início, sua motivação é clara: reencontrar o irmão perdido e lidar com as consequências de sua ligação com a magia. Ao seu lado está Abram Finlay, um erudito que funciona não apenas como apoio narrativo, mas também como peça-chave para a resolução de enigmas.

A história se desenrola em dez capítulos, cada um com foco em uma parte do mundo de Aema e nos dilemas emocionais da protagonista. O enredo aborda temas como família, confiança, redenção e sacrifício, explorando como o poder pode ser tanto um dom quanto uma maldição.

Apesar da boa direção cinematográfica, o roteiro não escapa de alguns clichês. A estrutura narrativa segue uma linha previsível, e jogadores acostumados com obras de fantasia podem antecipar boa parte das reviravoltas. Ainda assim, a relação entre Ryn e Abram é convincente e sustenta o interesse até o final.


Um mundo inspirado na Islândia

O maior triunfo de Echoes of the End está no seu mundo visualmente impressionante. O jogo recria paisagens inspiradas diretamente na Islândia: geleiras monumentais, vulcões ativos, campos de lava e ruínas ancestrais que parecem saídos de um conto folclórico.

O estúdio utilizou a Unreal Engine 5 com fotogrametria para capturar texturas reais e criar cenários de tirar o fôlego. As animações com captura de movimento garantem personagens mais expressivos, e os efeitos de luz e sombra dão vida ao ambiente. Em diversos momentos, é inevitável parar apenas para contemplar a paisagem, como se fosse uma obra de arte interativa.

Essa atenção ao detalhe transforma Aema em um lugar que transmite tanto beleza quanto hostilidade. É um mundo que se sente vivo, mesmo que a linearidade limite a exploração.


Jogabilidade: entre ação e reflexão

Echoes of the End oferece uma mistura de combate com espada, feitiçaria poderosa e quebra-cabeças ambientais.

Combate

  • O sistema de luta começa básico, com golpes simples de espada e esquivas.
  • A progressão concede a Ryn novos poderes mágicos, que vão desde manipular o ambiente até ataques devastadores.
  • Embora os inimigos comuns não apresentem grande desafio, as batalhas contra chefes são mais criativas, exigindo uso estratégico das habilidades e leitura dos padrões de ataque.

O ponto fraco é a repetição: por boa parte do jogo, o combate carece de variedade, e só ganha ritmo mais envolvente na segunda metade.

Puzzles e exploração

Os quebra-cabeças são o coração do design. No início, limitam-se a mover objetos ou acionar mecanismos, mas logo evoluem para desafios complexos:

  • Manipulação do tempo.
  • Reconstrução de ruínas usando magia.
  • Resolução conjunta com Abram, que oferece pistas ou age diretamente nos enigmas.

É aqui que o jogo mais brilha, lembrando experiências como Tomb Raider e Prince of Persia na mistura de exploração e raciocínio lógico.

Já a exploração sofre com linearidade extrema. O jogo conduz o jogador por caminhos definidos, bloqueando áreas com barreiras invisíveis. Não há espaço para experimentação, o que pode frustrar quem espera um mundo aberto.


Técnica e desempenho

Apesar do visual impressionante, Echoes of the End não escapa de problemas técnicos:

  • Bugs visuais: colisões estranhas, inimigos presos no cenário, barcos flutuando sem sentido.
  • Performance irregular: quedas de frame em momentos de maior intensidade gráfica, principalmente em consoles.
  • Limitações imersivas: física inconsistente e pequenas falhas de IA que comprometem batalhas.

Ainda assim, considerando o tamanho reduzido da equipe, é notável o nível de detalhe alcançado. O jogo não atinge o polimento de um God of War Ragnarök, mas transmite um charme próprio, aquele conhecido “euro jank” que faz parte da identidade de títulos de médio orçamento.


Duração e ritmo da campanha

A campanha dura em média 12 a 15 horas, dependendo da atenção aos puzzles e exploração opcional. Isso o coloca em um bom equilíbrio: não é um épico de dezenas de horas, mas também não é breve demais.

O ritmo, no entanto, sofre com oscilações. As primeiras horas podem soar arrastadas pelo combate repetitivo, mas os capítulos finais compensam com maior intensidade narrativa e quebra-cabeças criativos.


Trilha sonora e atmosfera

A trilha sonora reforça o tom melancólico e grandioso do jogo, mesclando instrumentos orquestrais com vozes etéreas que remetem ao folclore nórdico. Sons ambientais — vento uivando em montanhas, água correndo em cavernas, trovões ecoando — ampliam a sensação de estar em um mundo vivo.

É um título que merece ser jogado de fones de ouvido, para que cada detalhe sonoro reforce a imersão.


Prós e Contras

Prós

  • Cenários deslumbrantes inspirados na Islândia
  • Trilha sonora atmosférica e envolvente
  • Puzzles inteligentes e criativos na segunda metade
  • Narrativa cinematográfica com bons momentos emocionais
  • Uso competente da Unreal Engine 5 e da fotogrametria
  • Batalhas contra chefes bem elaboradas

Contras

  • Linearidade excessiva, com exploração limitada
  • Combate repetitivo e com pouca variedade de inimigos
  • Narrativa previsível, com reviravoltas pouco ousadas
  • Bugs e falhas técnicas frequentes
  • Ritmo inicial arrastado antes da evolução dos poderes mágicos

Conclusão

Echoes of the End é um título que reflete a ousadia e as limitações de um estúdio independente com grandes ambições. É uma experiência que fascina pelo visual, encanta pelos puzzles e envolve pelo peso emocional de sua protagonista, mas que tropeça em aspectos como narrativa previsível, combate repetitivo e falhas técnicas.

Mesmo assim, é um jogo que merece ser experimentado, especialmente por quem aprecia aventuras cinematográficas, mundos deslumbrantes e desafios de raciocínio criativo. Não será lembrado como um marco da fantasia, mas como uma obra que mostra o potencial de Myrkur Games em escalar ainda mais alto em seus próximos projetos.


📌 Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
📌 Desenvolvedora: Myrkur Games
📌 Publicadora: Deep Silver
📌 Data de lançamento: Agosto de 2025
📌 Key fornecida para análise

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